Pequenos municípios como emblema do desperdício, uma conversa pra boi dormir

    Evoca-se a questão da suposta gastança com vereadores inócuos e esquecem do resto

    Destaque_Levi

     

    Pergunta a leitora Alice Santiago, do Canela, Salvador, se é justo o apoio que a grande mídia deu à PEC do Pacto Federativo proposta pelo governo no item que extingue municípios com menos de 5 mil habitantes e menos de 10% de renda própria.

    Alice, prezada, o olhar da grande mídia muitas vezes é caolho, como no caso. Evoca-se a questão da suposta gastança com vereadores inócuos e esquecem do resto. Você já viu a grande mídia ir lá olhar se neles existem escolas, postos médicos e afins? Não. Normalmente, os tais municípios são nesgas de Brasil esquecidas, que só existem com algum aparato institucional por perto exatamente porque são institucionalizadas como municípios.

    Exorbitância

    A grande mídia prestaria um grande serviço ao interesse público, a sua razão de existir, se executasse uma pauta comparando a destinação do dinheiro que chega em tais comunidades com as mordomias e exorbitâncias salariais nos núcleos de poder, incluindo Executivo, Legislativo, Judiciário e tribunais de contas.

    Na escala, até o volume da corrupção (o vírus da maldita é epidêmico) nos pequenos é fichinha. Do nosso ponto de vista, extinguir os pequenos é desserviço. Iríamos desertificar áreas que hoje ainda têm pequenos núcleos urbanos e empurrar suas populações para penar nas grandes cidades.

    Nesse item, a visão da tal PEC é elitista. Privilegia quem tem e dane-se o resto. Ou, como diriam nos pequenos municípios, é conversa pra boi dormir.

    A fila é grande

    Embora a legislação atual imponha bastante dificuldades para a criação de novos municípios, na Comissão de Divisão Territorial da Assembleia, mais de 60 distritos da Bahia postulam, um deles, o Junco, em Jacobina, com intensa movimentação nas redes.

    O presidente da comissão, Osni Cardoso (PT), é a favor, e se diz contra a extinção de municípios:

    — Isso acaba com a economia. A maioria já é carente. Imagine com sobrecarga.