Petrobras está indo embora da Bahia. E mergulha 3,2 mil servidores na incerteza

    Diz-que a petrolífera será obrigada a transferir os servidores para Rio de Janeiro e São Paulo e estimular aposentadorias

    Foto: André Motta de Souza/Agência Petrobrás
    Foto: André Motta de Souza/Agência Petrobrás

     

    Diz a história que em 2 de julho de 1948, dois dias antes de morrer, o escritor Monteiro Lobato, em sua última entrevista, declarou: ‘O petróleo é nosso’. Fazia coro com os que defendiam a exploração do petróleo no Brasil, descoberto no Lobato, subúrbio ferroviário de Salvador, três anos antes, por brasileiros. Aí estava o embrião da Petrobras.

    Se o poço do Lobato não era comercial, a Bahia tinha outros potenciais, especialmente na região de Alagoinhas. Agora, a Petrobras anuncia que está tirando o time. Vai vender 28 campos em 10 municípios, de onde se extrai 30 mil barris por dia, o que dá algo em torno de R$ 2 bilhões por ano.

    No conjunto, segundo Radiovaldo Costa, diretor licenciado do Sindipetro (é candidato a prefeito em Alagoinhas), são 3.200 funcionários, 700 concursados e 2.500 terceirizados.

    Prejuízo

    Eles estão espalhados pelos municípios de Alagoinhas, Esplanada, Araçás, Cardeal da Silva, Entre Rios, Catu, Pojuca, Mata de São João, Candeias e São Francisco do Conde. Diz Radiovaldo que a Petrobras será obrigada a transferir os servidores para Rio de Janeiro e São Paulo e estimular aposentadorias.

    — As novas empresas, muitas delas já conhecidas, trabalham com bem menos gente, pagam menos e às vezes suprimem até direitos. A Bahia só tem a perder.

    Pois é. A exploração petrolífera que começou na Bahia segue mais de meio século depois assim, com a sensação de que o petróleo não era nosso.