PF abre inquérito para investigar depoimento de porteiro do condomínio de Bolsonaro

    Objetivo é apurar se houve falso testemunho em depoimento prestado sobre o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol)

    Foto: Reprodução/TV Globo

    Atendendo a um pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal no Rio de Janeiro abriu nesta quarta-feira (6) um inquérito para investigar o depoimento prestado por um dos porteiros do condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro tem casa.

    A investigação vai apurar se o porteiro mentiu em depoimento prestado sobre o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, ocorrido no ano passado. O intuito é verificar se houve crimes de obstrução de Justiça, falso testemunho e denunciação caluniosa.

     

    Na semana passada, o Jornal Nacional, da TV Globo, noticiou que registros do condomínio Vivendas da Barra, e também o depoimento de um dos porteiros à Polícia Civil, deram conta de que um dos suspeitos do assassinato, o ex-policial militar Élcio Queiroz, esteve, horas antes do crime, na casa do sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa, suspeito de ser o executor da ação, que mora no local.

    Segundo a reportagem, em depoimento, o porteiro informou que Élcio Queiroz anunciou que iria não à casa de Lessa, mas à de número 58 do Vivendas da Barra, que é a residência de Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. O porteiro teria interfonado para a casa do então deputado federal. Segundo ele, “seu Jair” havia autorizado a entrada do visitante.

    Contudo, registros de presença da Câmara dos Deputados demonstram que naquele dia o então deputado estava em Brasília. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o porteiro mentiu sobre a ligação para a casa da família do presidente.

    Após os acontecimentos, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, pediu ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a abertura de um inquérito para apurar “todas as circunstâncias” da citação do nome do presidente Bolsonaro.

    Em seguida, Aras remeteu o pedido para o MPF-RJ, que pediu a abertura do inquérito à PF. Na mesma decisão, o procurador-geral arquivou a citação por entender que não havia evidências de crime.