A Polícia Federal (PF) já apreendeu R$ 27 milhões em espécie durante operações relacionadas a suspeitas de crimes eleitorais em 2026. O balanço, contabilizado até a manhã deste sábado (3), véspera do primeiro turno, supera com ampla margem todo o montante recolhido nas eleições gerais de 2022.
Há quatro anos, quando o país também escolheu presidente, governadores, senadores e deputados, as apreensões em dinheiro chegaram a R$ 4,6 milhões. O valor registrado neste ano é quase seis vezes maior e ainda pode aumentar com as operações em andamento.
O volume também está próximo do balanço de toda a eleição municipal de 2024. Naquele ano, quando estavam em disputa os cargos de prefeito e vereador, aproximadamente R$ 29 milhões em espécie foram apreendidos.
Além do dinheiro recolhido, 1,3 mil inquéritos já foram abertos para investigar possíveis irregularidades relacionadas ao processo eleitoral deste ano. Até a manhã deste sábado, 52 pessoas haviam sido conduzidas à Polícia Federal para prestar esclarecimentos.
Ceará, Rio de Janeiro e Maranhão aparecem entre os estados com maior incidência de suspeitas de crimes eleitorais, considerando investigações abertas e operações em andamento. Quando analisadas especificamente as apreensões de dinheiro, Tocantins, Roraima, Pará, Amazonas e Amapá concentram alguns dos principais casos.
Um dos episódios mais recentes aconteceu em Aracaju, Sergipe. A Polícia Federal apreendeu R$ 500 mil depois de identificar um saque considerado suspeito de estar relacionado ao favorecimento da campanha de um candidato.
A pessoa abordada não conseguiu explicar a destinação do montante e foi encaminhada à PF para prestar esclarecimentos.
Como as movimentações são identificadas
Parte das investigações pode começar a partir da identificação de transações financeiras consideradas atípicas. Nesses casos, informações produzidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) podem subsidiar a atuação dos órgãos responsáveis pela investigação.
Ao explicar como esse tipo de apuração pode ocorrer, o analista de segurança pública Elijonas Maia citou situações envolvendo saques de grandes quantias às vésperas da votação.
“A PF fica de prontidão, faz o monitoramento da pessoa que é alvo de uma suspeita, vê que há um saque milionário em agência bancária e vai ao encontro dessa pessoa para saber a origem desse dinheiro”, explicou.
A existência de uma movimentação financeira suspeita, por si só, não comprova a prática de crime eleitoral. A origem, a destinação dos recursos e as circunstâncias de cada ocorrência são apuradas individualmente pelas autoridades.
As operações seguem em andamento durante o período eleitoral, o que significa que o total de R$ 27 milhões registrado até este sábado ainda pode sofrer alterações.

