PF pede autorização ao STF para investigar uso de recursos do orçamento secreto

    Intenção é investigar possível uso irregular dos recursos para compra de tratores

    Foto: Divulgação/PF

    A Polícia Federal quer investigar as suspeitas de irregularidades no uso de parte das emendas de relator, conhecidas como ‘orçamento secreto’. Para iniciar as investigações, a PF pediu autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A intenção é apurar se houve irregularidades no uso de dinheiro oriundo de emendas para compra de tratores.

    Os recursos do “orçamento secreto” têm origem em emendas parlamentares cuja transferência é questionada em ações no STF e no Tribunal de Contas da União (TCU). No último dia 9, o STF referendou a decisão da ministra Rosa Weber que suspendeu o pagamento dessas emendas.

    Em outubro, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, afirmou em audiência na Câmara dos Deputados que a CGU e a PF já estavam apurando um suposto esquema de ‘venda de emendas’.

    No pedido de abertura de inquérito enviado ao Supremo, a PF informou que quer identificar os autores das emendas relacionadas a supostas irregularidades.

    Em maio, o jornal “O Estado de São Paulo” publicou reportagem segundo a qual parte do dinheiro do “orçamento secreto” serviu para a compra de tratores superfaturados e obras consideradas irregulares pelo TCU.

    Suposto descumprimento de decisão
    Na semana passada, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE) enviaram ofício ao STF pedindo a punição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), por supostamente descumprirem a decisão da ministra Rosa Weber, que suspendeu o “orçamento secreto”.

    Com base em reportagem da revista “Piauí”, os parlamentares relacionaram no pedido 21 pagamentos que somam R$ 5 milhões e teriam sido efetuados por vários órgãos federais após a decisão da ministra.

    Em ofício enviado a nove ministérios no dia 6 — um dia após a decisão de ministra do STF —, o secretário-executivo da Casa Civil, Jônathas Assunção de Castro, solicita providências “de forma urgente para suspensão de toda e qualquer execução dos recursos orçamentários” oriundos das emendas de relator.

    No ofício, o secretário-executivo da Casa Civil pede o atendimento à decisão do STF “com a diligência que o caso requer”.