PGE pede investigação de Abilio Brunini por suposta prática de transfobia contra Erika Hilton

    Requerimento foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR)

    Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

    A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma solicitação para que o deputado federal Abilio Brunini (PL) seja investigado por suposta prática dos crimes de transfobia e de violência política de gênero contra a parlamentar Erika Hilton (PSOL). 

    “Os fatos dependem de apuração, inclusive mediante análise do sistema audiovisual do local onde se estabeleceram os debates, das câmeras de filmagens, depoimentos de testemunhas, dentre outras diligências cabíveis”, afirmou a procuradora regional da república Raquel Branquinho, à PGR. 

    No documento, é relatado ainda que “a análise da fala do parlamentar poderá configurar, além do constrangimento, humilhação e perseguição contra uma parlamentar no exercício de sua função, um ataque a esse grupo específico de mulheres, com o propósito de impedir ou dificultar o exercício do mandato eletivo das mulheres trans eleitas, notadamente aquelas eleitas para a Câmara dos Deputados

    Agora, o procurador-geral da República, Augusto Aras, deve decidir se acata o pedido da PGR e abre um processo criminal contra o parlamentar, por Abilio Brunini ter foro privilegiado. A bancada do PSOL na Câmara entrou com um pedido de cassação do deputado. 

    O requerimento da PGE ocorreu após Brunini ser acusado por deputados de ter dirigido uma insinuação transfóbica a Hilton durante a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito do 8 de janeiro, na terça-feira (11). 

    Segundo parlamentares, o deputado teria dito que Erika Hilton estaria “oferecendo serviços” após a colega de Casa afirmar que ele deveria “tratar sua carência em outro espaço”. Anteriormente, o parlamentar havia sido repreendido pelo presidente da comissão, Arthur Maia (União), por filmar os presentes que interrogavam o tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid. 

    Em nota, Abilio Brunini negou as acusações, alegando que não admite “homofobia”.

    ‘Não admito homofobia. Peço respeito a todos, peço respeito a mim também. Não posso deixar que essa narrativa seja consagrada ou uma narrativa construída. Eu não tenho interesse algum em destratar qualquer pessoa aqui por questão de gênero, assim como não tenho feito até o momento”, disse.