PGR envia parecer contra Bolsonaro por racismo ao STF

    Segundo documento, declarações de deputado tiveram cunho preconceituoso

    Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

    A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu o recebimento da denúncia contra o deputado federal e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ) por racismo e manifestação discriminatória contra quilombolas, indígenas e refugiados. O parecer foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (28), no âmbito do inquérito contra o parlamentar.

    No documento, a PGR rebate as alegações da defesa de que as declarações do deputado expressaram apenas a opinião política do parlamentar, proferidas no exercício da função, em diálogo com seu eleitorado.

    Para Raquel Dodge, as palavras e expressões utilizadas por Jair Bolsonaro ultrapassam a liberdade de pensamento e transbordam para o conteúdo discriminatório e preconceituoso dos grupos aos quais ofende.

    Em pouco mais de uma hora, o parlamentar falou sobre comunidades quilombolas, referindo-se a eles como seres inferiores, inúteis e preguiçosos, igualando-os a mercadoria; e aos estrangeiros, que poderiam se envolver em práticas de guerrilha e luta armada.

    As declarações do deputado ocorreram em palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril do ano passado. Na denúncia, apresentada em abril deste ano, a PGR afirma que Jair Bolsonaro usou expressões de cunho discriminatório, incitando o ódio e atingindo diretamente vários grupos sociais.