Prefeitos sabem que é difícil prorrogar os mandatos, mas não jogam a toalha

    'A pauta está carregada, com as reformas da Previdência e tributária. E a PEC teria que ser aprovada até outubro'

    Foto: Secom/governo de Minas Gerais
    Foto: Secom/governo de Minas Gerais

     

    Glademir Aroldi (foto), ex-jogador de futebol, zagueiro, que chegou a passar um tempo no Bahia quando Paulo Maracajá era presidente do Bahia, ex-prefeito de Saldanha Marinho, no Rio Grande do Sul, hoje presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), tem sólidos argumentos objetivos e conceituais para defender a prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores.

    Diz que o ato significaria uma economia para o Brasil da ordem de R$ 3,5 bilhões, só com os gastos oficiais de campanha. E também que o modelo político brasileiro é particularmente perverso:

    — O Brasil não suporta essa de eleições de dois em dois anos. Um ano a gente faz políticas públicas, no outro, política partidária. É muito nocivo para o interesse público.

    Pedras do caminho

    Os argumentos são plausíveis. Mas eis a questão: a PEC que prorroga os mandatos passa?

    O próprio Aroldi, que ontem estava na Marcha dos Prefeitos, em Salvador, admite que é difícil.

    Assim como o senador Otto Alencar, que afirma a justeza da causa, mas diz que o problema está na Câmara:

    — A pauta está carregada, com as reformas da Previdência e tributária. E a PEC teria que ser aprovada até outubro.

    No elenco de entraves, os prefeitos citam até os interesses dos deputados em Brasília. Diz-se que César Maia, pai de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, tem 6% das intenções de voto no Rio. Ele iria deixar o papai na mão?

    Mas, como diz Eures Ribeiro (PSD), prefeito de Bom Jesus da Lapa e presidente da UPB, o principal é ir à luta, desistir jamais.

    Os azares de Eures

    E por falar em Eures, definitivamente as marchas de prefeitos, na Bahia, parecem não fazer bem para ele.

    Na última, em 26 de outubro de 2017, teve que voltar para a Lapa às pressas porque a mãe faleceu. Ontem, após passar a noite internado com uma crise de apendicite, marcou presença e foi correndo para Lapa a fim de fazer a cirurgia.

    Na próxima é bom antes ele tomar um banho de folha.