Propina abasteceu campanha de Dilma de 2014, diz empreiteira

    Segundo a Andrade Gutierrez, as doações à petista eram oriundas de obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico

    Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
    Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

    A segunda maior empreiteira do país, Andrade Gutierrez, fez doações às campanhas de Dilma Rousseff e de seus aliados em 2010 e 2014 utilizando propinas oriundas de obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico.

    De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a informação consta da delação premiada do ex-presidente da empresa, Otávio Marques de Azevedo, e foi sistematizada por ele em uma planilha apresentada à Procuradoria Geral da República.

    Otávio e o ex-executivo Flávio Barra detalharam a planilha em depoimentos ocorridos em fevereiro, enquanto negociavam a delação premiada que espera homologação no Supremo Tribunal Federal.

    É a primeira vez, na Lava Jato, que um empresário fala sobre o esquema de financiamento de partidos por meio de propinas de contratos públicos legalizadas na forma de doação eleitoral.

    Ainda segundo a reportagem, em 2014, a Andrade Gutierrez doou R$ 20 milhões para o comitê da campanha de Dilma. Na tabela, que inclui também doações em 2010 e 2012, cerca de R$ 10 milhões doados às campanhas da presidente estão vinculados à participação da empreiteira em contratos de obras públicas.

    A propina, segundo Azevedo, que abasteceu a campanha, tinha origem em contratos da empreiteira para a execução das obras do Complexo Petroquímico do Rio, a usina nuclear de Angra 3 e a mega hidrelétrica de Belo Monte – que estão entre as dez maiores do Programa de Aceleração do Crescimento. Ainda de acordo com ele, existia a parte dos “compromissos com o governo” por atuar nas obras –isto é, propina– e a parte “republicana”, ou seja, a ação institucional em forma de doação.