Publicitária diz ser dona de imóvel investigado na Lava Jato

    Nelci Warken é considerada pela Lava Jato "testa-de-ferro" de um suposto esquema de ocultação patrimonial e lavagem do dinheiro desviado da corrupção na Petrobras

    SP - LAVA JATO/TRIPLO X - POLÍTICA - Fachada do Edifício Solaris, no bairro de Astúrias, no Guarujá (SP), onde a família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido dona de um tríplex, o 164-A. A nova fase da operação Lava Jato, denominada Triplo X, busca em "testas-de-ferro" dados sobre os verdadeiros donos de imóveis no prédio. 28/01/2016 - Foto: MAURICIO DE SOUZA/ESTADÃO CONTEÚDO

    A publicitária Nelci Warken, presa na 22ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Triplo X, confirmou nesta sexta-feira, 29, para a Polícia Federal ser a controladora da offshore Murray Holdings, dona de um tríplex no Edifício Solaris, no Guarujá, onde a família do ex-presidente Lula seria dona de outro tríplex

    Presa desde quarta-feira, 27, alvo da Triplo X, Nelci Warken, de 63 anos, é considerada pela Lava Jato “testa-de-ferro de um suposto esquema de ocultação patrimonial e lavagem do dinheiro desviado da corrupção na Petrobras, que teria envolvido a empreiteira OAS, a Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários (Bancoop) e o PT”. “Nelci não é laranja. O apartamento foi comprado com dinheiro do trabalho dela”, afirmou o criminalista Alexandre Crepaldi, defensor de Nelci que acompanhou seu depoimento na manhã desta sexta-feira, 29, na sede da PF em Curitiba.

    Nelci é ex-funcionária da área de marketing da Bancoop e dona de uma empresa de panfletagem, a Paulista Plus. Desde 2009, o apartamento 163-B, que Nelci admitiu ser de sua propriedade, pertence à Murray Holdings LLC, aberta em Las Vegas, Estado de Nevada, nos Estados Unidos, em nome de Eliana Pinheiro de Freitas. Para os procuradores, Eliana é uma “laranja” de Nelci Warken.

    Eliana Pinheiro de Freitas – também ligada a Bancoop e madrinha de uma das filhas de Nelci – foi ouvida na quarta-feira, alvo de condução coercitiva pela PF. Segundo a defesa de Nelci, não há ilegalidade no registro de um imóvel em nome da offshore. Para os investigadores, as duas fazem parte do núcleo de “testas-de-ferro” do esquema. Pelo menos 13 outros imóveis estão registrados em nome da Murray.