As redes sociais ultrapassaram a televisão como principal fonte de informação sobre política entre os baianos, segundo levantamento do instituto Quaest contratado pela Rede Bahia. A mudança marca uma inversão significativa no comportamento do eleitorado em apenas quatro anos.
Em maio de 2022, 56% dos entrevistados apontavam a televisão como principal meio para acompanhar assuntos políticos, enquanto as redes sociais eram citadas por 22%. Na pesquisa divulgada em agosto de 2026, os números se inverteram: 38% passaram a apontar as redes sociais como principal fonte, contra 34% que ainda recorrem à TV.
Na comparação entre os dois levantamentos, as redes avançaram 16 pontos percentuais, enquanto a televisão recuou 22 pontos.
Redes sociais ganham espaço na política
Para Rodrigo Carreiro, codiretor executivo do Aláfia Lab e pesquisador associado do INCT DD, a transformação acompanha uma tendência observada no Nordeste, região onde, segundo ele, as redes sociais têm papel particularmente relevante na busca por informações políticas.
O pesquisador relaciona a mudança, entre outros fatores, à diferença geracional no consumo de mídia e à variedade de conteúdos disponíveis nas plataformas digitais.
Instagram, TikTok e outras redes passaram a reunir, no mesmo ambiente, publicações de veículos de imprensa, jornalistas independentes, candidatos, influenciadores, celebridades e perfis de entretenimento.
Para Carreiro, um dos desafios desse novo cenário é justamente identificar a origem e a natureza das informações que circulam nas plataformas.
TV ainda alcança milhões de baianos
Apesar da queda na preferência como fonte principal de informação política, a televisão continua tendo forte presença no estado.
Dados citados no levantamento apontam que cerca de 8% dos baianos que assistem à TV desligam o aparelho durante o horário eleitoral. Ainda assim, a estimativa é de que mais de 1,5 milhão de pessoas acompanhem a propaganda eleitoral em Salvador.
O professor de Comunicação Política da PUC-RJ, Arthur Ituassu, avalia que a mudança não representa necessariamente o desaparecimento dos meios tradicionais. Para ele, os diferentes canais passaram a funcionar de maneira complementar, em um ambiente no qual a informação política está mais dispersa.
Portais aparecem atrás das redes e da TV
Outros meios têm participação bem menor na preferência dos entrevistados. Sites, blogs e portais de notícias são apontados por 6% como principal fonte de informação política.
Amigos, familiares e conhecidos aparecem com 4%, mesmo percentual registrado por WhatsApp e Telegram. O rádio soma 3%, enquanto jornais impressos chegam a 2%.
A pesquisa também mediu, pela primeira vez, o uso de ferramentas de inteligência artificial para obter informações políticas: 1% dos entrevistados disseram utilizar chats de IA como principal fonte.
Por outro lado, 8% afirmaram não se informar sobre política.
Jornalismo mantém espaço nas redes
A ascensão das redes sociais não significa, necessariamente, perda de espaço para o jornalismo profissional. Outro levantamento, realizado pelo Datafolha e divulgado em setembro, indica que os conteúdos de veículos jornalísticos continuam entre os mais vistos por eleitores que possuem contas em redes sociais.
Entre os entrevistados com perfis em plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Kwai, 57% afirmaram ter visto conteúdos sobre as eleições de 2026 nas últimas semanas.
Dentro desse grupo, 75% disseram ter visto publicações de veículos jornalísticos e 71% de jornalistas. Na sequência aparecem conteúdos de candidatos, com 69%; amigos ou familiares, com 65%; influenciadores, com 61%; e grupos de WhatsApp ou Telegram, com 47%.
Pesquisa Quaest ouviu 900 pessoas
O levantamento da Quaest contratado pela Rede Bahia ouviu 900 pessoas entre 23 e 26 de agosto de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BA-06206/2026 e BR-08870/2026.

