Quem errou no caso Kátia Vargas: a própria, a mídia ou o júri?

    O senso comum, pelos fatos amplamente relatados, é o de que um probleminha de trânsito foi elevado à infinita potência e deu em tragédia

    Frase da vez

    “A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente”

    Florbela Espanca, poetisa portuguesa (1894-1930).

     

    Foto: Divulgação / TJ-BA
    Foto: Divulgação / TJ-BA

     

    Em primeiríssimo lugar, é bom que os nossos digníssimos arautos do Direito entendam com clareza que jornalista não é jurista. Jornalista relata fatos e ponto. Às vezes publicam notícias imprecisas, fora de contexto, o que muito ocorre pela eterna briga contra o tempo. Quando há condições, se faz muitíssimo bem, aqui e alhures.

    No caso Kátia Vargas, ninguém mentiu ou manipulou fatos, como diz o advogado José Luis Lima, da defesa de Kátia Vargas, a ré. Ele acusou a mídia de nunca ter sido tão imparcial.

    Como também é verdade que, pelos fatos relatados, ninguém acha que Kátia Vargas é inocente. Mas aí está o erro de alguém: acusaram a médica de ter tido a intenção deliberada de matar, o que também não cola. O senso comum, pelos fatos amplamente relatados, é o de que um probleminha de trânsito foi elevado à infinita potência e deu em tragédia.

    Ou como dizem os juristas: houve um crime sem dolo, e não crime doloso, como insistiu a acusação. Aí ela ganhou. Quiseram monstrificar a médica, e não colou. Mas o resultado sugere que a inocência não é lá essa inocência toda.

    O erro veio daí, da acusação.