Quem perde com Geddel fora do governo? De saída, Temer

    Convenhamos, a acusação sobre Geddel ganhou o fôlego que teve graças ao momento em que o país, em que até a simples citação de um delator qualquer, vira manchete

    Frase da vez

    “A crise de hoje é a anedota de amanhã

    H.G. Wells, advogado e um republicano político em Massachusetts e New Hampshire (1879 – 1954)

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.
    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.

     

    Diz ACM Neto, que mesmo fora do governo, Geddel continuará com a mesma influência e prestígio e isso é o que importa.

    Óbvio que ninguém vai deletar do governo os indicados de Geddel para postos importantes, como Pedro Dantas na Codeba e Juvenal Maynart na Ceplac. E também não caiu fulminado por denúncias da Lava Jato, como o senador Romero Jucá, que foi deletado do Planejamento logo no início do Governo Temer.

    Também convenhamos, a acusação sobre Geddel ganhou o fôlego que teve graças ao momento em que o país, em que até a simples citação de um delator qualquer, vira manchete. Mais que isso, vitaminado pela Globo, que agora ainda tenta transformar Marcelo Calero em herói nacional como bastião da moralidade.

    Mas também é óbvio que Geddel fora, não é a mesma coisa. Ele deixou de ser o homem forte do poder central, de onde sairia altamente cacifado para 2018. Justamente em um momento em que o governo se vê às voltas para aprovar a polêmica PEC 55, articulação na qual cumpria papel decisivo.

    Temer, um presidente fraco com um ministro de trânsito fácil no Congresso Nacional, é o grande perdedor, de saída.

    Rui e Neto

    Mas a questão é com os demais atores da política baiana.

    Se Rui Costa perdeu muito com a queda de Dilma, não pode dizer que perdeu tudo. Criou uma situação atípica. Grande parte dos partidos que o apoiam cá, como o PSD do senador Otto Alencar e o PP do vice-governador João Leão, estão com Temer lá. A questão é que havia um Geddel no caminho, para dizer sim ou não nos pleitos macros da Bahia (confronto que nunca houve).

    Na outra banda, quando Temer assumiu a Presidência ACM Neto teve que dividir com Geddel uma fatia do estrelato da oposição. E admite que até foi ajudado pelo próprio no andamento do projeto do BRT, que Dilma prometeu e nunca cumpriu.

    Para um lado e para outro, convém esperar. Geddel perdeu a caneta, mas não a influência com Temer. Resta como fica agora.

    Mau-caratismo

    Amigo particular de Geddel, o ex-deputado Raimundo Sobreira diz que o fato de o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, ainda ministro, ter gravado uma conversa particular com Michel Temer, o presidente, é um ato de dupla conotação, legal e moral.

    — Legalmente, ele deveria ser enquadrado na Lei de Segurança. E moralmente, é no mínimo mau-caratismo.

    Curioso é que, em entrevista ao Fantástico, ontem, o próprio Temer se queixou do fato.

    Quem

    Curiosa também a declaração de Temer sobre o perfil do substituto de Geddel, que ele repetiu no Fantástico:

    — Tem que ser alguém que não seja metido com nada.

    É algo como procurar uma agulha no palheiro.