Rangel diz que vender o Velho Chico é uma afronta à soberania nacional

    "O governo fala em vender a Eletrobras por R$ 20 bilhões. Parece piada. Só Belo Monte (no Pará) vale R$ 40 bilhões. Ainda tem essa", diz deputado do PT

    Frase da vez

    “Nos indivíduos, a loucura é algo raro, mas nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas, é regra.”
    Friedrich Nietzsche, filósofo alemão (1844-1900)

    Chesf Sobradinho (Foto Glauco Umbelino)
    Chesf Sobradinho (Foto Glauco Umbelino)

     

    O deputado Paulo Rangel (PT), que é natural de Paulo Afonso e já foi administrador regional da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), diz que a intenção do governo de privatizar a Eletrobras, a estatal que controla o sistema energético do país, é algo jamais visto no planeta:

    – Imagine você que nos EUA, a matriz do capitalismo mundial, as bacias hidrográficas são tidas como questões de segurança nacional. Tanto que quem cuida é o Exército. Aqui, o governo quer vender o controle.

    Diz Rangel que o uso principal das águas dos rios, como o São Francisco, é a geração de energia, mas tem também a irrigação e a piscicultura, por exemplo:

    – Ora, o mínimo para uma usina operar é de 1.040 metros cúbicos por segundo. Hoje ele está com 500. É claro que eles vão segurar água, tirar de outros usos.

    Mas Rangel diz que o pior é o preço:

    – O governo fala em vender a Eletrobras por R$ 20 bilhões. Parece piada. Só Belo Monte (no Pará) vale R$ 40 bilhões. Ainda tem essa.

    O governo não quer vender. Quer dar.

    Empréstimo sem quórum

    A intenção dos governistas na Assembleia ontem de fazer uma reunião conjunta das Comissões de Justiça, Finanças e Infraestrutura para autorizar o governo a renegociar uma dívida de R$ 2,623 bilhões com o BNDES, ampliando o prazo de pagamento de 240 para 360 meses, deu xabú. Caiu por falta de quórum.

    Faltou o mínimo de 15 deputados necessários. Ivana Bastos (PSD) atrasou presa em um engarrafamento na Paralela, Euclides Fernandes (PDT) estava no médico e Luiz Augusto (PP) foi ao enterro de um amigo.

    Mas Luciano Ribeiro (DEM), tirava sarro:

    – A bancada do governo está fragilizada. Quer porque quer a liberação das emendas.