Receita diz que estudava trocar desde janeiro de 2020 auditor alvo de Flávio Bolsonaro

    Em dezembro, o auditor-fiscal Christiano Paes Leme Botelho foi exonerado do comando do escritório "a pedido"

    Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
    Foto: Tania Rego/ Agencia Brasil
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    A Receita Federal afirmou que analisava desde janeiro de 2020 fazer trocas na chefia do Escritório de Corregedoria na 7ª Região Fiscal (Escor07), pivô das suspeitas do senador Flávio Bolsonaro de acesso ilegal de dados sigilosos do senador. As informações são da coluna de Guilherme Amado, da revista Época.

    Segundo a publicação, em dezembro, o auditor-fiscal Christiano Paes Leme Botelho foi exonerado do comando do escritório “a pedido”. A suspeita, no entanto, é que ele tenha sido pressionado a sair após a defesa de Flávio afirmar que o escritório comandado por Botelho se beneficiava de um “manto de invisibilidade” para acessar dados.

    Na ocasião, a Receita afirmou que não se manifestava sobre exonerações, mas, em pedido de Lei de Acesso à Informação, diz agora que um e-mail de 22 de janeiro deste ano mostra que a saída de Botelho do comando do Escor07 e a nomeação de outro auditor, Leonardo Abras, já vinham sendo analisadas desde aquele mês.

    Ainda de acordo com a coluba, em e-mail com assunto “alteração de chefias na Corregedoria”, o corregedor da Receita, José Barros, pediu apoio para efetuar “a adequada troca de chefias no Escritório de Corregedoria na 7ª Região Fiscal”.

    Segundo a mensagem, Leonardo Abras, então chefe do Escritório de Corregedoria da 1ª Região Fiscal, seria designado chefe substituto do Escritório de Corregedoria na 7ª Região Fiscal.

    A Receita cita que a decisão foi concretizada no Diário Oficial de fevereiro, quando Abras foi removido do seu então escritório e nomeado substituto eventual da chefia do Escor07.

    Apesar da mudança, Botelho continuou como chefe titular por quase dez meses e Abras chegou a ser designado em julho como chefe de serviço de análise correcional no Escor07.

    As informações foram passadas pela própria Receita Federal, após pedido de Lei de Acesso à Informação apresentado pelo deputado Ivan Valente, do PSOL de São Paulo.