Rede lança campanha para antecipar eleições gerais

    Partido de Marina Silva defende que essa é a saída para a crise política instalada no país. A tese também é defendida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB)

    Foto: Joedson Alves/Estadão Conteúdo

    Enquanto o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), diz ver com bons olhos a antecipação das eleições gerais como solução para a crise política que se instalou no Brasil, o partido Rede Sustentabilidade, criado por Marina Silva, lançou, nesta terça-feira (5), a campanha “Nem Dilma, Nem Temer, Nova Eleição é a Solução”, em ato realizado no Hotel Nacional, em Brasília.

    Em nota, o partido defende que a solução para a atual e grave crise política do país não está nem na presidente Dilma Rousseff (PT), nem no seu vice Michel Temer (PMDB), porque ambos são responsáveis pela atual situação do Brasil. “Por isso, a realização de um novo pleito é a melhor forma de enfrentar todo esse contexto, ao devolver à sociedade a opção de rever sua opção através do voto”, diz a nota distribuída pela Rede.

    O partido também defende que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seria a instituição com legitimidade para decidir sobre a cassação da chapa Dilma/Temer.
    Em nota, o partido também critica a saída do PMDB do governo, que chamou de “jogada oportunista”.

    Na nota à imprensa, a sigla explica que espera atrair também representantes da sociedade e de movimentos sociais, além de “personalidades políticas” de outras legendas e simpatizantes, além de destacar que a saída do PMDB do governo é “apenas uma jogada oportunista para tentar se descolar da responsabilidade pela crise política e a distribuição dos cargos agora vagos a partidos igualmente implicados nas denúncias da Lava-Jato”.

    “Na avaliação do partido, tanto a presidente quanto o vice são igualmente responsáveis pelos graves momentos da conjuntura brasileira”, completa a Rede. “A Rede acredita que só uma nova eleição dará legitimidade ao novo Governo capaz de liderar o país para a renovação política, ética e moral”, diz a nota.

    Emenda à Constituição – O presidente do Senado também mostrou-se favorável à antecipação de eleições gerais (para presidente e para a Câmara e o Senado) como forma de se buscar uma solução para a crise política. Aliado da presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Renan Calheiros considerou a possibilidade de apoiar a Emenda à Constituição que prevê a realização de eleições gerais este ano. Em conversas com aliados nesta terça-feira (5), Renan disse que “se a classe política não encontrar soluções para a crise, a emenda é uma boa alternativa”.

    Calheiros fez a afirmação ao ser questionado por jornalistas sobre proposta do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) que, na segunda-feira (4), em discurso na tribuna do Senado, teria sugerido a antecipação da eleição presidencial para outubro deste ano (junto com a eleição municipal), o que, para o senador, seria uma solução alternativa para o processo de impeachment ao qual a presidente Dilma responde no Congresso.

    O presidente do Senado disse concordar com a tese de antecipar eleições gerais porque é “mais ampla” que a antecipação somente da eleição presidencial.  “Antecipação de eleição presidencial é uma outra coisa. A tese da eleição geral que está sendo defendida, é uma tese mais ampla e pode significar uma resposta da política ao Brasil, que continua a demonstrar muita ansiedade neste momento. Eleição geral é eleição para todo mundo, e só é geral se for assim. ”, disse.

    Questionada sobre essa possibilidade, a presidente Dilma Rousseff respondeu que quem deve ser consultado são os deputados e senadores. “Eu acho que essa proposta, como várias outras, são propostas. Não rechaço nem aceito. É uma proposta. Convença a Câmara e o Senado a abrir mão dos seus mandatos. Aí você vem conversar comigo”, afirmou.