Publicado em 23/07/2026 às 13h52.

Roberta acusa Bruno Reis de distorcer dados do TCE-BA

Secretária da Saúde da Bahia contesta críticas sobre a regulação, defende investimentos do Estado e critica a gestão da saúde em Salvador

Daniel Serrano / Pevê Araújo
Foto: Carolina Papa/bahia.ba

 

A secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, rebateu nesta quinta-feira (23) as críticas feitas pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), sobre a situação da saúde pública no estado. 

Na quarta-feira (22), durante a convenção do União Brasil que oficializou ACM Neto como candidato ao Governo da Bahia, Bruno Reis afirmou que a secretária deveria se preocupar com a saúde estadual e alegou que o tempo de espera na fila da regulação teria aumentado 155%, atribuindo o dado ao Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA)

O prefeito também defendeu a atuação da rede municipal de saúde, afirmando que, sem as 11 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e sete unidades de pronto atendimento administradas pela Prefeitura de Salvador, a situação da assistência no estado seria ainda mais grave. Segundo ele, centenas de pacientes aguardam diariamente por regulação nas unidades municipais, incluindo moradores do interior.

Em nota enviada ao Bahia.ba, Roberta Santana contesta as declarações do prefeito envolvendo a fila da regulação e acusou o Bruno Reis de distorcer informações do TCE-BA.  A secretária disse que o documento não registra aumento de 155% no tempo de espera da regulação.

De acordo com a secretária, o documento aponta, na verdade, redução do déficit de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2019 e 2024, com ampliação de 9,74% na oferta de leitos.

Roberta Santana da Bahia também criticou a gestão municipal ao afirmar que a Prefeitura de Salvador interrompeu o serviço de avaliação vascular nas UPAs, aumentando a demanda sobre a rede estadual.

Na nota, Roberta destacou ainda que o governador Jerônimo Rodrigues entregou 15 hospitais estaduais em três anos e meio de gestão e que outros 22 hospitais, entre estaduais e municipais com financiamento do Tesouro Estadual, estão em construção ou em fase de entrega. Segundo a secretária, somente em 2025 o Serviço Estadual de Regulação realizou cerca de 300 mil atendimentos.

A gestora também apontou problemas na atenção básica da capital, área de responsabilidade do município. Segundo ela, o próprio Plano Municipal de Saúde reconhece que Salvador possui a menor cobertura de atenção primária entre as capitais brasileiras, além de registrar elevados índices de mortalidade infantil e materna. Ao finalizar a nota, Roberta Santana afirmou que, em vez de transformar a saúde em debate político, Bruno Reis deveria reconhecer os investimentos realizados pelo Governo do Estado no fortalecimento do SUS.

Confira a nota enviada ao Bahia.ba na íntegra: 

O prefeito de Salvador precisa se informar melhor. O relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) que ele afirma ter lido não registra, em nenhum trecho, que o tempo de espera aumentou 155%. Ao contrário: o documento aponta que o déficit de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia diminuiu entre 2019 e 2024, período em que houve ampliação de 9,74% na oferta de leitos. Atribuir ao Tribunal uma informação que ele nunca publicou não é debate político. É distorção dos fatos.

E, já que o prefeito decidiu tratar da assistência à saúde, é importante falar da realidade. Foi a Prefeitura de Salvador que interrompeu a oferta do serviço de avaliação vascular nas UPAs, transferindo ainda mais pressão para a rede estadual de saúde.

Enquanto isso, em apenas três anos e meio, o governador Jerônimo Rodrigues entregou 15 novos hospitais estaduais e tem outros 22 hospitais, entre estaduais e municipais com financiamento do Tesouro Estadual, em construção ou em fase de entrega. O Governo do Estado amplia a assistência e salva vidas. Somente em 2025, o Serviço Estadual de Regulação (SER) realizou 300 mil atendimentos.

Já a Prefeitura de Salvador acumulou atrasos históricos. Foram 14 anos para inaugurar uma maternidade que não funciona com porta aberta. Também levou mais de uma década para entregar um hospital no bairro mais populoso da capital que permanece de portas fechadas para a população. Essa é a realidade.

Outro problema grave é a fragilidade da atenção básica, responsabilidade direta do município. A ausência de um pré-natal efetivo contribui para um cenário preocupante: Salvador registra a maior mortalidade infantil e a maior mortalidade materna entre as capitais brasileiras. Esses dados não são do Governo do Estado. Estão registrados no próprio Plano Municipal de Saúde, elaborado e assinado pela gestão do prefeito. O mesmo documento reconhece que Salvador possui a pior cobertura de atenção primária entre as capitais do país.

A comparação com Fortaleza é inevitável. As duas cidades têm populações semelhantes. Fortaleza conta com 10 hospitais municipais. E Salvador?

Quem negligencia a atenção básica, fragiliza a assistência especializada e deixa a própria população sem acesso adequado aos serviços de saúde não tem autoridade para tentar desqualificar quem trabalha para ampliar o SUS. Em vez de transformar a saúde em palanque, o prefeito deveria reconhecer os investimentos realizados pelo Governo do Estado.

Daniel Serrano
Daniel Serrano é baiano de Salvador e atua como repórter de Política no bahia.ba. com passagens pela TV da Câmara Municipal de Salvador e pelos sites Varela Notícias, Radar da Bahia, Política Ao Vivo e BNews.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com