Roque Aras diz que Augusto é um arauto contra a corrupção

    "É liberal na economia e conservador nos costumes, mais do que eu até"

    Foto: Levi Vasconcelos
    Foto: Levi Vasconcelos

     

    Assim que o nome do baiano Augusto Aras foi cogitado para a Procuradoria Geral da República, disseram que ele era de esquerda, e quem saiu em defesa foi o pai, Roque:

    – É liberal na economia e conservador nos costumes, mais do que eu até.

    Aos 87 anos, ainda militando na advocacia em Feira de Santana, Roque Aras também nunca foi de esquerda, mas construiu toda a sua trajetória entre os animigos da ditadura militar.

    Deputado estadual e depois federal, foi presidente do MDB na Bahia, o partido da oposição aos militares.

    Autênticos e adesistas

    Passou a comandar o MDB na época em que o partido era dividido entre autênticos e adesistas.

    Os autênticos, conta ele, se resumiam a dois diretórios, o de Feira de Santana, comandado por Chico Pinto, e o de Conquista, por Pedral Sampaio. Os 60 restantes seguiam a batuta de Ney Ferreira, deputado federal, aliado de ACM.

    Foi aí que ele resolveu embrenhar-se pelo interior atrás de novos aliados:

    – Eu chegava nas cidades e perguntava ao padre ou ao pessoal do Correios: quem é que fala mal do governo aqui?

    Enfrentou muitos problemas, até assassinatos. Hoje, Roque se diz satisfeito com o filho, por dois motivos, um geral e um pessoal:

    – Ele quebrou um estigma. A turma do sul acha que só tem gente que entende direito até Minas. E pessoalmente, tenho certeza: Augusto jamais.