O senador eleito pela Bahia Rui Costa revelou nesta segunda-feira (5) que a estratégia para o segundo turno da eleição presidencial será ampliar a votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado e reduzir os índices de abstenção. A declaração ocorreu após uma reunião com Lula e lideranças da base política, em Brasília.
Segundo Rui, ele, o governador Jerônimo Rodrigues e o senador reeleito Jaques Wagner, integrantes da chapa majoritária baiana, deverão atuar na mobilização de eleitores para a segunda etapa da disputa.
“A expectativa é essa. Eu acredito muito nisso porque a comparação vai ficar muito nítida dos dois [Lula e Flávio Bolsonaro]. Porque é muito distante”, afirmou o senador eleito, ao ser questionado sobre a expectativa de votação de Lula no segundo turno.
A reunião começou antes das 18h e terminou por volta das 22h. O encontro reuniu Lula, integrantes da base política e membros das chapas majoritárias dos estados para discutir estratégias para a nova etapa da eleição.
Rejeição ganha peso no segundo turno
Na avaliação de Rui, a dinâmica do segundo turno é diferente da primeira etapa porque o eleitor passa a escolher entre apenas dois candidatos. Nesse cenário, segundo ele, a rejeição passa a ter maior influência na decisão.
“Uma coisa é você ter dez candidatos a presidente e você oferece um leque para o eleitor. Como bem disse aqui o Alckmin, nesse segundo turno é medir rejeição”, afirmou.
“O eleitor vota o seguinte: ‘Eu quero você’, ‘Eu não quero você’, ‘Eu não gosto dele, mas eu não quero você’. Então o que é mais forte para as pessoas na hora de decidir é quem ela não quer”, acrescentou.
Mobilização para reduzir abstenção
O senador eleito afirmou que a campanha de Lula na Bahia deverá concentrar esforços tanto na conquista de eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno quanto na redução da abstenção.
“As duas coisas, um pouco de cada coisa, eu acho, e até reverter alguns que votaram no Flávio”, declarou.
Rui também apontou uma diferença prática em relação ao primeiro turno: a ausência da disputa proporcional. Com deputados federais e estaduais já definidos, os eleitores não terão mais a necessidade de levar as chamadas “colinhas” com números de candidatos.
“No segundo turno não tem colinha de deputado, porque o candidato já foi, ou já perdeu, já ganhou, não tem mais interesse. Então o eleitor vai ter uma relação exclusiva. Ele não precisa levar colinha, vai ter que votar em um número ou outro, acabou”, disse.
Outro ponto citado por Rui foi a possibilidade de debates entre Lula e Flávio Bolsonaro. Para ele, o confronto direto permitirá aos eleitores comparar os dois candidatos.
“Vai ter debate. Aí, acredito que tanto o Lula como ele vão pro debate, então você vai ter um confronto direto, olho no olho. Então isso é mais fácil para as pessoas compararem”, afirmou.
Rui critica trajetória de Flávio Bolsonaro
Ao comentar a disputa contra Flávio Bolsonaro, Rui fez críticas à trajetória política do senador e disse considerar que a comparação com Lula será desfavorável ao adversário.
“Do ponto de vista de imagem, de currículo, ele é pior que o pai [Jair Bolsonaro], porque o pai pelo menos trabalhou um tempo no serviço público, ele nunca trabalhou na vida. O que é que ele fez de ação para o povo?”, questionou.
Rui também afirmou que Flávio Bolsonaro deverá carregar para a campanha elementos relacionados à trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Ele tem todo um histórico de complicações da vida dele, patrimônio, tudo dele é complicado. Então as pessoas vão comparar, ele vai herdar também tudo que o pai foi de ruim”, declarou.

