Rui Costa sobre enfrentamento a Bolsonaro: ‘Em 2022 precisamos derrotar o ódio’

    Em entrevista à revista IstoÉ, governador da Bahia disse que "Bolsonaro usa aparelho do estado para perseguir adversários"

    Foto: Camila Souza/GovBA

    Em entrevista concedida nesta sexta-feira (4) à revista IstoÉ, o governador da Bahia, Rui Costa defende uma aliança ampla para derrotar o atual presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em 2022, mesmo que o Partido dos Trabalhadores (PT) não ocupe a cabeça de chapa.

    Ao bahia.ba, Rui já havia dito que pretende manter o discurso, mesmo sabendo que sua fala causou e ainda causará “muito barulho”, até mesmo dentro da própria legenda, contrariando lideranças históricas do PT, como o ex-presidente Lula.

    “Tenho absoluta certeza de que não estou sozinho. Outros governadores do PT, outras lideranças do partido concordam comigo. Inclusive do PDT. Não é com rancor e mágoa que vamos construir uma nação respeitada. Falta uma coalizão, um conjunto de forças políticas que coloquem o Brasil em primeiro lugar antes de suas vaidades pessoais. Em 2022 precisamos derrotar o ódio”, reiterou Rui.

    Perguntado sobre as possíveis alianças para a corrida ao Palácio do Planalto em 2022, Rui afirmou não se deve esperar o segundo turno para iniciar as conversas sobre os rumos do Brasil, inclusive com partidos que não aliados ao PT.

    “Cada conjunto de partidos poderá apresentar seu projeto, já que temos dois turnos na eleição nacional. Não devemos esperar o segundo turno para conversar. Um programa que busque retomar a credibilidade do Brasil, com valores democráticos, compromisso com a imprensa livre, o Estado de Direito, garantindo justiça fiscal e aumento de renda e emprego. Não teríamos dificuldades de atrair muitos partidos, incluindo os de centro, para essas teses. Isso já é um grande salto em relação ao que temos hoje”, salientou o governador.

    No Facebook, Rui se mostra disposto a discutir um projeto para o Brasil. “Para mim o povo brasileiro vem em primeiro lugar”.

    Gestão

    O economista Rui Costa foi eleito governador da Bahia em 2014, e se destaca na esquerda por reformas modernizantes e pela austeridade, o que criou atritos com os servidores. O investimento em parcerias público-privadas também confrontou bandeiras da esquerda, mas colocou a Bahia em segundo lugar entre os estados que mais investiram nos últimos três anos. Sua gestão garantiu a reeleição em 2018 com aprovação de 75,71%.

    Costa mantém boa relação com adversários, incluindo o prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente do DEM. Nas eleições municipais, aposta em uma oficial da PM, mas nega que a escolha tenha a intenção de enfrentar a onda de nomes da área de segurança que surgiram com Bolsonaro.