Rui critica Arthur Lira por defender orçamento secreto: ‘Povo quer transparência’

    'Povo tem o direito de saber onde está sendo aplicado o seu dinheiro', reforçou o governador

    Foto: Flávia Requião/bahia.ba

    Após criticar o atual governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) por “torrar dinheiro público” nos últimos anos, nesta terça-feira (22), o governador Rui Costa (PT) foi contra a declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), que defendeu o mecanismo conhecido por repassar verba para parlamentares, conhecido como orçamento secreto.

    “Com certeza é unanimidade que o povo brasileiro quer transparência na aplicação de recurso público. Acho que não tem um brasileiro que, se você perguntar, ache que é razoável gastos ficarem de forma secreta, sem o povo saber quem tá aplicando, pra onde tá indo e o que tá fazendo com o dinheiro público. Não acho que cabe a ninguém dar declarações no sentido intimidatório, de que recursos ficarão sendo aplicados sem que o povo saiba a origem e o destino”, disse o governador.

    Mais cedo, em meio às críticas ao governo federal, o petista citou as contratações feitas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, conhecida como “estatal do Centrão” por ser utilizada para repassar verba para parlamentares.

    “O que eu desejo é que todos os parlamentares, deputados e senadores, possam colaborar com o Brasil. Todos possam trabalhar com a transparência da aplicação dos recursos públicos. Precisa da transparência para que a gente possa avaliar a qualidade desse gasto público. Está sendo usado no asfalto que está derretendo em dois ou cinco dias? Isso não pode continuar. É dinheiro do povo”, acrescentou Rui.

    Ainda durante a coletiva de imprensa, Rui reforçou que “o povo tem o direito de saber onde está sendo aplicado o seu dinheiro e a qualidade dessa aplicação”.

    “Não pode senador ou deputado achar que pode utilizar recurso público sem explicar ao povo qual a finalidade dessa aplicação. Somente alguns gastos específicos voltados à segurança nacional, e a segurança de autoridades, eventualmente, podem ser reservados, mas isso representa um volume muito pequeno. Alguém não pode achar que R$ 15 o R$ 20 bilhões possa se manter em segredo”, completou o governador.