Rui diz que parlamentares ficaram reféns de ‘discurso mentiroso’ sobre ICMS

    Contrário à PEC, governador diz que medida não vai reduzir preço do combustível e afirma que em 30 dias será possível ver ‘resultado da mentira’

    Foto: Cássio Santana / bahia.ba

    Após o Senado aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para zerar o ICMS sobre itens combustíveis, gás natural e energia elétrica, o governador Rui Costa (PT) criticou a pressão sofrida pelos parlamentares que se opõem à medida, que em sua avaliação não irá resolver o problema dos preços.

    “Todo mundo ficou refém nesse momento pré-eleitoral e desse discurso mentiroso de que quem vota contra está sendo contra a redução do preço do combustível. Então houve uma massificação dessa ideia, todo mundo ficou refém disso”, disse o petista, nesta quarta-feira (15), durante a entrega da Policlínica de Escada, no subúrbio ferroviário de Salvador. “E isso pra mim é fato consumado, o centrão tem voto suficiente, e aprovou isso”, pontuou o governador, prevendo que em um futuro próximo ficará provado que tal política não será benéfica para o consumidor.

    “Nada melhor do que o tempo, o tempo é o senhor da verdade. Daqui a 30 dias vocês vão estar me entrevistando de novo e eu quero que vocês me mostrem a fotografia comparando o preço de hoje dos combustíveis e o preço daqui a 30 dias. E vocês vão me dizer qual é o resultado da mentira que eles adotaram”, desafiou Rui Costa.

    Voto vencido, o senador Jaques Wagner (PT) também criticou o projeto, ao qual classificou como “demagogia para enganar o povo”. “Não vai baixar gasolina nenhuma. Não tem tabelamento de preço no Brasil. O presidente da república precisa ter compostura e, em vez de ficar fazendo a Petrobras ter um lucro seis vezes superior às outras petroleiras do mundo, ele deveria fazer uma política que interessa a sociedade brasileira”, disse ele. “Quem garante que o cara do posto vai tirar? Ele vai deixar a fluxo de caixa! Ele [Bolsonaro] vai impor preço a posto de gasolina? a distribuidora?”, pontuou, destacando ainda que a medida vai impactar negativamente no orçamento de governos estaduais e prefeituras.

    Questionado a respeito do voto favorável de outros senadores da Bahia, ele evitou fulanizar, mas disse estar com a consciência tranquila a respeito de sua posição. “Outros senadores votaram talvez por fidelidade partidária. Não quero entrar nesse mérito, mas estou tranquilo em relação ao que fiz”, disse o ex-governador.

    Nesta terça-feira (14), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do Projeto de Lei Complementar (PLP) 18/2022, que limita a aplicação de alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis. O texto, de origem na Câmara, passou pelo Senado e sofreu alterações, por isso, voltou à casa. Os deputaos devem analisar destaques a trechos de algumas emendas incluídas pelos senadores nesta quarta (15).