Se Bolsonaro quis embolar o jogo da CPI da Covid no Senado, conseguiu

    A CPI, do jeito que está posta, vai apurar supostas irregularidades nos repasses de mais de R$ 80 bilhões pelo país afora. Ou seja, tem a faca e o queijo para acabar numa boa pizza.

    Foto: reprodução/redes sociais
    Foto: reprodução/redes sociais

     

    Bolsonaro conseguiu uma vitória ontem no Senado. A CPI da Covid, requerida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e que foi desengavetada por decisão do ministro Luis Barroso, do STF, foi lida ontem. Foi o primeiro passo para a instalação. Mas agregou-se outra proposta do senador Eduardo Girão (Pode-CE), que estende as investigações também para 27 governadores e 5.570 prefeitos, pelo menos no que diz respeito a repasses das verbas federais.

    Em suma, tirou o foco. O que a oposição queria era emparedar Bolsonaro mirando três alvos:

    1 — Apurar a falta de oxigênio em Manaus, que mira o general Eduardo Pazzuelo, ex-ministro da Saúde.

    2 — Investigar Pazzuello, já que Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, os antecessores, saíram porque se recusaram a obedecer o chefe.

    3 — O atraso nas vacinas.

    Baianos

    A CPI, do jeito que está posta, vai apurar supostas irregularidades nos repasses de mais de R$ 80 bilhões pelo país afora. Ou seja, tem a faca e o queijo para acabar numa boa pizza.

    O único senador baiano a assinar o pedido de Randolfe foi Otto Alencar (PSD), que, embora seja plenamente a favor da apuração dos fatos, acha o momento inoportuno.

    — CPI tem que ser presencial. E nas circunstâncias atuais, não há condições.

    Angelo Coronel (PSD) não assinou, e acha a mesma coisa.

    Jaques Wagner (PT) acha inconveniente fazer CPI com a crise que o Brasil atravessa, embora ressalte que Bolsonaro nem precisa ser investigado, é réu confesso.

    Em miúdos, a maré não está para impeachment.