Segundo delação, propina a Cunha pode passar de R$ 30 milhões

    Delator Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa, disse que operava no banco a mando do presidente da Câmara afastado e do doleiro Lúcio Funaro

    (Foto: Lúcio Bernardo Jr/Câmara dos Deputados)

    A Polícia Federal investiga um esquema de desvios de dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que pode passar de R$ 30 milhões em propina ao deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segundo o delator Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa. Nesta sexta-feira (1°), policiais realizaram buscas nos endereços de grandes empresas acusadas por Cleto de pagar propina. Entre elas, a JBS. Cleto, segundo sua delação, operava na Caixa a mando de Cunha e do doleiro Lúcio Funaro – este último preso na operação desta sexta.

    Cleto participava das reuniões do Fundo de Investimentos do FGTS, o FI-FGTS, que injetou algo como R$ 11,7 bilhões em empresas no país no período. De acordo com a revista Época, esses encontros, contudo, não eram sua principal tarefa em Brasília. Toda terça-feira, às 7h30, ele tinha um compromisso inadiável e secreto, em um apartamento espaçoso na 311 Sul, em Brasília. O objetivo do encontro era vazar informações das reuniões internas da Caixa e antecipar operações financeiras sigilosas de empresas com fundo.

    Ainda de acordo com a reportagem, Cleto tinha um chefe fora da Caixa: Eduardo Cunha. Primeiro, os encontros ocorriam no apartamento funcional de Cunha. Depois, o parlamentar tornou-se presidente da Câmara e ambos passaram a se ver na própria residência oficial. Era a ele que Cleto tinha lealdade e recebia ordens para dificultar – ou facilitar – a vida das empresas interessadas nos investimentos do FI-FGTS. Seu papel era dar o verniz técnico às ordens de Eduardo Cunha e repassar uma espécie de mapa do achaque. Agora delator, Fábio Cleto contou aos procuradores que vazava informações com duas semanas de antecedência e, para isso, tinha de ignorar todos os termos de confidencialidade que assinava dentro da Caixa.