Senado eleito em 2026 amplia pressão por impeachment no STF

    Nova composição da Casa terá 49 parlamentares que já defenderam publicamente o afastamento de ministros da Suprema Corte

    Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

    A nova composição do Senado Federal, definida nas eleições deste domingo (4), deve ampliar a pressão por pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo menos 32 dos 54 senadores eleitos neste ano já defenderam publicamente o afastamento de integrantes da Corte.

    Somados aos 17 senadores que já ocupam cadeiras na Casa e têm o mesmo posicionamento, o grupo chega a 49 parlamentares a partir de 2027. O levantamento feito pelo jornal O Globo considera manifestações públicas dos senadores sobre o tema.

    Apesar do crescimento da chamada “bancada do impeachment”, o número ainda fica abaixo dos 54 votos necessários para a aprovação do afastamento de um ministro, equivalente a dois terços dos 81 integrantes do Senado.

    Antes de uma eventual votação, porém, o pedido precisa avançar na Casa. A decisão sobre a tramitação das representações está entre as atribuições da Presidência do Senado, atualmente ocupada por Davi Alcolumbre.

    PL terá maior bancada

    O PL, partido do presidenciável Flávio Bolsonaro, foi a legenda que mais ampliou sua presença no Senado. A sigla elegeu 19 novos senadores e passará de 15 para 28 cadeiras, tornando-se a maior bancada da Casa.

    A composição favorável ao impeachment também reúne parlamentares de outras legendas. Entre os novos integrantes estão três senadores da Federação União-Progressista (formada por PP e União Brasil), três do Novo, três do MDB e dois do Republicanos.

    Cerca de 100 pedidos no Senado

    A discussão sobre o impeachment de ministros do STF ganhou força nos últimos anos. Atualmente, há cerca de 100 pedidos de impeachment protocolados no Senado. A maior parte das representações tem como alvo o ministro Alexandre de Moraes.

    A possibilidade de abertura de processos também passou por uma mudança relevante em 2025. O ministro Gilmar Mendes suspendeu trechos da Lei do Impeachment e estabeleceu, em decisão liminar, a exigência de dois terços do Senado para a abertura de processo contra ministros do Supremo. O tema foi posteriormente submetido à análise do STF.