Senado vota nesta quarta (24) privatização do saneamento básico e políticos divergem

    Políticos discutem sobre o novo marco regulatório do serviço

    Foto: Carolina Gonçalves/Agência Brasil

    O Senado deve votar ainda nesta quarta-feira o projeto de lei 4162, novo marco regulatório do saneamento básico. No entanto, o debate já começou entre os políticos e há muita divergência sobre o assunto.

    Para os políticos do PT e Psol, a privatização do serviço tornará a água uma mercadoria. A vereadora de Salvador, Marta Rodrigues (PT), declarou nas suas redes sociais que é contra ao PL. “Não podemos aceitar que a água seja privatizada e se torne uma mercadoria. Água é um direito de todas e todos”, escreveu.

    Já o ex-presidenciável pelo partido Novo, João Amoêdo, defende a privatização e criticou o PT e Psol pelo posicionamento.  “Esses partidos preferem manter estatais ineficientes ao invés de resolver o problema de 100 milhões de brasileiros que não têm esgoto e 35 milhões que não têm água tratada em casa. As estatais são estratégicas apenas para alguns políticos”, afirmou.


    Utilizando as informações do Ministério da Economia, Amoêdo também disse que seria possível aumentar os investimentos em saneamento básico, se os salários do setor público fossem iguais ao setor privado. “Se os salários das estatais de saneamento fossem equivalentes as das concorrentes no setor privado, teria sido possível investir R$80 bilhões a mais nos últimos 11 anos. As estatais não são estratégicas para o cidadão. Estratégico é receber serviços básicos”.

     

    Para o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ), a privatização deve aumentar o preço do serviço e excluir os mais pobres. “Em todo mundo a privatização do saneamento aumentou o preço do serviço e excluiu os mais pobres. Na Inglaterra, a tarifa subiu 46% em 9 anos. Milhares de famílias sofreram cortes por não conseguirem pagar. Agora imagina isso no Brasil”, comentou.

    Freixo ainda afirmou que “privatizar o saneamento é ir na contramão do mundo”. “A maioria das cidades que adotou o modelo voltou atrás e reestatizou o sistema, como Paris e Buenos Aires. Fizeram isso porque as tarifas aumentaram muito e a quantidade de famílias atendidas não foi ampliada”, publicou nas suas redes sociais.