Senadores do PSD apoiam impeachment de Temer, diz Otto

    Presidente do partido na Bahia propôs a parlamentares pressão sobre Gilmar Mendes para antecipar julgamento que pode cassar chapa Dilma-Temer

    Foto: Ana Volpe/Agência Senado

    Integrante de um partido da base de apoio do presidente Michel Temer (PMDB), o senador Otto Alencar disse ao bahia.ba, logo após o peemedebista recusar renunciar ao mandato, que os cinco senadores do partido são favoráveis ao impeachment. Comandante estadual da sigla, ele ainda garantiu que os quatro deputados baianos da legenda também apoiam a iniciativa.

    No entanto, Otto admite dificuldade na aprovação do pedido. “Para instalar a comissão de impeachment, teria que ter acordo entre as duas casas [Câmara e Senado], mas Rodrigo Maia e Eunício Oliveira estão na delação e não vão querer. A cúpula do comando político em Brasília está comprometida. Todos querem se defender”, afirmou.

    Ainda na manhã desta quinta-feira (18), o senador sugeriu que os parlamentares favoráveis à saída de Temer pressionassem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, a antecipar o julgamento da ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer para segunda ou terça da próxima semana. “O caminho mais rápido seria esse, mas ele [Gilmar] está na Rússia”, ponderou.

    Em relação ao colega de parlamento, Aécio Neves (PSDB-MG), alvo de uma operação da Polícia Federal que prendeu a sua irmã e o seu primo, por supostamente receber propina da JBS, para Otto Alencar, a perda do mandato é questão de dias. “Aécio não tem jeito. As gravações são gravíssimas. Tem obstrução da justiça… Delcídio [do Amaral] foi cassado rapidamente… Primeiro, [o ministro Luiz] Fachin [relator da Lava Jato no Supremo] não determinou a prisão, porque diabos eu não sei. Se desse, teria que vir para o plenário do Senado votar”, disse.

    O senador ainda previu que “tempos bicudos” virão. “Triste Brasil, pobre Brasil. O nosso país não merece políticos tão incapazes, sem compromisso com a verdade. Brasília sofre de uma corrupção endêmica que virou quase prática normal. O dinheiro saiu pelo ralo e deu essa situação: dólar subindo, Bolsa caindo, arrecadação menor e o reflexo vai ser nos estados e municípios. Governadores e prefeitos vão passar momentos dificílimos agora, e a população também”, opinou.