Servidores da Cultura relatam tensão com Mario Frias armado durante expediente

    Fontes dizem ser frequentes escândalos e ofensas, aos gritos, dirigidos a servidores e terceirizados

    Foto: Roberto Castro/ Ministério de Turismo

    O secretário especial da Cultura, Mario Frias, anda e despacha armado no ambiente de trabalho, deixando a arma visível na cintura. A informação, publicada inicialmente pela “Folha de S. Paulo”, foi confirmada pelo portal UOL com três fontes que frequentam a pasta.

    Segundo uma delas, a arma “gera mal-estar e desconforto entre funcionários e pessoas que se reúnem com o secretário”. Sobretudo porque o clima nos corredores da secretaria é de tensão recorrente. Há relatos de “escândalos e ofensas” aos gritos, dirigidos a servidores e terceirizados, que seriam presenciados com frequência.

    “Imagine esse contexto e o seu chefe com arma na cintura. O medo e a sensação de ameaça são constantes”, relatou uma fonte que preferiu não ter a identidade revelada, em entrevista ao UOL.

    ‘Receio por integridade física’ justifica porte

    Ainda de acordo com o UOL, Frias é fã de armas e tem uma pistola Taurus de calibre .9mm registrada em seu nome, de acordo com o site da Polícia Federal. Sendo civil, ele precisa ter um documento de porte, que autoriza o cidadão a circular com uma arma de fogo “de forma discreta”, de acordo com o site do governo federal.

    O secretário obteve o porte no fim de 2020. Ele solicitou o documento em 3 de dezembro de 2020, apresentando como justificativa os riscos de correria ao ocupar o cargo. No dia 7, o requerimento foi deferido e, no dia 10, foi emitida a carteira de porte, com validade de 5 anos. O documento tem categoria “defesa pessoal” e é válido em todo o território nacional.

    “A princípio, com registro de porte, a pessoa pode transitar, tendo como exceção só o que está previsto na lei e nos regulamentos. A não ser que haja alguma regra excepcional no Ministério do Turismo [ao qual a Secretaria Especial da Cultura é subordinada]”, explica Natalia Pollachi, coordenadora do Instituto Sou da Paz.

    A Secretaria de Cultura foi questionada sobre as motivações para Frias portar a arma em ambiente de trabalho, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. A assessoria do Ministério do Turismo também não deu retorno, até o momento, sobre as regras para a circulação com arma em suas dependências, e de suas secretarias.