Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, desta segunda-feira (14), a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) disse que não há mais espaço para ela no PDT e que vai à Justiça Eleitoral nesta terça-feira (15) mover uma ação para pedir seu mandato. A parlamentar, no entanto, não disse qual deverá ser seu destino.
Tabata afirmou aos entrevistadores da bancada do programa que a decisão foi tomada por causa da “lógica eleitoreira que prevaleceu no PDT” durante o voto da reforma da Previdência e as posteriores críticas às suas posições feitas por setores do partido.
“Para mim, não há espaço mais para o PDT e, sobre a pergunta para onde vou, não tenho ideia ainda. Sei que duas coisas vão guiar a decisão: um partido que me dê espaço para defender minha visão do mundo, que entenda que ela é relevante, que fala do social mas também do desenvolvimento econômico, e que me dê liberdade para fazer o que eu estava fazendo no PDT”, disse.
A pedetista revelou em primeira mão durante o programa que, juntamente com seis outros deputados do PDT e do PSB, vai à Justiça Eleitoral mover uma ação para pedir pelo seu mandato. “A gente vai entrar amanhã cedo com uma ação na Justiça Eleitoral pedindo mandato. E eu falo a gente porque tem três deputados do PDT, três do PSB. O PDT, quando decidiu nos suspender, disse que teria um prazo de dois meses para poder nos julgar. Isso faz 3 meses”.
Para a congressista, o PDT já não a representa. “Hoje eu não atuo mais como vice-líder, os projetos que eu tinha foram cancelados, na câmara não consigo fazer nada que dependa do partido e preciso falar com outros. E passados esses dois meses, a gente enviou uma carta ao presidente [do PDT] Carlos Lupi pedindo o julgamento e nenhuma resposta. Passou um mês e eu tomei essa decisão”, afirmou.
A legislação atual permite mudança de partido sem perda de mandato em três casos: mudança significativa no programa da sigla, grave discriminação política e pessoal, ou encaixe na janela partidária. Para ela, sua situação se encaixa no segundo caso.
“Hoje, se a Justiça entender que houve perseguição política desproporcional, o que está evidenciado por infinitas falas e que gastaram muito tempo inventando mentiras sobre mim, eu quero fazer essa conversa com todos os partidos para entender onde há espaço para construir a boa política”, declarou.
Ao UOL, ao término do programa, disse que sua “visão de mundo” vai guiar a escolha do novo partido. “Não faz sentido eu estar em um partido de extrema-esquerda ou extrema direita. Eu tenho uma visão progressista, que se preocupa com o social, mesmo sendo fiscalmente responsável”, afirmou.

