Tati Moreno vai ter que indenizar Juarez Paraíso: sereia de Interlagos

    Advogado diz que "o respeito ao direito autoral triunfou"

    iemanjá interlagos sereia
    Foto extraída do livro ‘A arte de Tati Moreno’

     

    Lembra aquela história em que o artista plástico Juarez Paraíso, hoje um dos imortais da Academia de Letras da Bahia (ALB), acusou o também artista Tati Moreno de ter lhe surrupiado a autoria da sereia, ou uma Iemanjá, que adorna o lago do entorno do Condomínio Parque Interlagos, em Areias, litoral de Camaçari?

    A história teve um princípio de fim ontem, e não foi bom para Tati. Por unanimidade, ou 3 votos a 0, a 2ª Câmara Cível do TJ o condenou em três linhas principais:

    1 — Pagar R$ 100 mil por danos morais, mais danos patrimoniais a serem arbitrados em liquidação de sentença.

    2 — Suprimir do livro ‘A arte de Tati Moreno as páginas 158 e 159’, que tratam da obra como se fosse dele.

    3 — Publicar três vezes em jornal de grande circulação texto dizendo que a obra lá é de Juarez, não dele.

    4 — Botar placa indicativa do autor na obra.

    O susto

    O TJ, na real, ampliou a sentença da juíza Ana Karena Nobre, da 9ª Vara Cível, acrescentando os danos patrimoniais.

    Tati Moreno, a quem se atribui a autoria dos orixás do Dique do Tororó, sempre se disse autor da obra, o que surpreendeu Juarez. Um dia ao tentar fotografá-la, foi brecado: ‘Só com autorização do autor’. Tomou um susto: ‘Como, se o autor sou eu’. Resposta: ‘Não. É Tati’.

    O advogado Rodrigo Moraes, especialista em direitos autorais, que trabalhou para Juarez, diz que o respeito ao direito autoral triunfou.