Frase da vez
“Os que têm tentado reformar os costumes do mundo, no meu tempo, reformam os vícios da aparência. Quanto aos da essência, deixam-nos intactos, quando não os aumentam.”
Michel de Montaigne, jurista, filósofo e escritor francês (1533-1592)

O Brasil sangra com a crise econômica, as delações da Odebrecht jogando lama no ventilador, uma representação política toda lambuzada, a expectativa de uma campanha eleitoral sobre a qual ninguém sabe as regras e Michel Temer, um presidente impopular e sem voto, querendo escrever o seu nome na história como o homem que recolocou o país nos trilhos.
O que julga ser o mapa da mina está nas reformas da Previdência e Trabalhista, principalmente a primeira. Só que há duas pedras no caminho.
1 — A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assumiu posição ostensivamente favorável à greve geral marcada para sexta contra as reformas. Para completar, amplos segmentos das comunidades evangélicas decidiram engrossar o time dos contra.
2 — No Congresso, apesar dos pesares, principal base de apoio a Temer, os políticos estão à beira de um ataque de nervos. Sabem que em 2018 não vão ter dinheiro para a campanha e não querem queimar chances de garimpar votos de opinião. E Temer, que precisa de 308 votos, ou dois terços, apela até para os governadores.
Posto está que, mesmo aprovando as reformas, no day after tem sobremesa. Temer só tem a oferecer as benesses do poder e a esperança de que chegará em 2018 com a economia dando sinais visíveis de recuperação. Mas de outro lado conseguiu resgatar a ebulição sindical, que andou apelegada na era Lula.
Prognóstico: o cenário vai continuar complicado.
Aliado rebelde
O deputado federal Pastor Luciano, que era do DEM, passou para o PMB e mudou para o PRB, e assumiu o mandato quando Antonio Imbassahy (PSDB) foi para a Secretaria de Governo, já tomou sua decisão sobre as reformas da Previdência e Trabalhista:
— Não voto de jeito nenhum. Se quiserem, podem chamar Imbassahy.
O Planalto atendeu. Imbassahy é um dos três ministros que vão voltar à Câmara só para votar.
Fogueira de retrato
Relator do projeto da reforma da Previdência, o deputado Arthur Maia (PPS) pode até estar colhendo louros diante do governo, mas sofre fissuras na base. Na semana passada, em um protesto em Carinhanha, fizeram uma fogueira com fotos dele servindo de combustível.

