Temer defende ‘cobrança imediata’ de atas das eleições na Venezuela

    Ex-presidente argumenta ainda haver a necessidade de que uma cobrança mais explícita do Brasil

    Foto: Marcos Correa/PR

    O ex-presidente Michel Temer (MDB) defende que o governo brasileiro faça uma “cobrança imediata” das atas das urnas das eleições da Venezuela e que estas passem por uma auditoria internacional para que, só após, seja reconhecido o presidente eleito naquele país. A informação é da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

    “Há uma dúvida imensa em relação ao resultado das eleições e só mesmo uma auditoria internacional, não pode ser nacional, que é tudo comandando por Maduro, é preciso que países mandem auditores para lá e examinem atas por atas. Ele precisa apresentar as atas de cada urna eleitoral. Esta é a única solução, não há outra. Se ele se recusar a isso, é porque há alguma coisa suspeita”, disse Temer à publicação.

    Para Michel Temer, a situação que aquele país se encontra, com dezenas de mortes e milhares de presos, impõe medidas mais ágeis na cobrança pelas atas.

    “Em face da gravidade da situação da Venezuela, você vê que são milhões e milhões às ruas, de um lado e de outro. Segundo ponto: já morreram muitos venezuelanos. E o terceiro ponto: há mais de mil e tantos que foram detidos, presos. Então isso não pode aguardar a vontade dele, para ele apresentar as atas. É preciso que ele imediatamente abra as portas para essa auditoria internacional. Não é esperar que ele decida esse prazo por causa da situação dramática que vive a Venezuela”, afirmou.

    O ex-presidente argumenta ainda haver a necessidade de que uma cobrança mais explícita do Brasil em relação à entrega imediata das atas das urnas.

    “Outros governos já estão cobrando. É preciso uma cobrança mais radical para que venham já as atas. Não pode protelar a situação da Venezuela. É ruim até para ele (Maduro) mesmo, se é que ele foi eleito, é ruim para ele essa demora”, completou.

    Michel Temer contou não ter sido procurado pelos ex-presidentes da América Latina e Espanha que assinaram uma carta conjunta dirigida a Lula pedindo que seja adotada uma posição mais enfática em defesa da democracia naquele país.

    “Não fui procurado pelos ex-presidentes, mas se eu estivesse sido, eu assinaria nesses termos, de uma cobrança efetiva e imediata”, acrescentou.