Temer e a Previdência: qualquer saída dá no caminho do inferno

    Outros segmentos acham que o governo elegeu a parte pobre da população para pagar o pato dos desatinos cometidos com o dinheiro público

    Frase da vez

    “Fica difícil cantar que o Brasil é o país do futuro.”

    Renato Russo, cantor e compositor (1960-1996)

    Foto: Agência Brasil
    Foto: Agência Brasil

     

    Projeto de lei para ser aprovada na Câmara dos Deputados precisa de maioria simples de um quórum mínimo de 257 deputados. No da reforma trabalhista bastariam 237 dos 473 presentes. Teve 296, Temer ganhou com folga.

    Com a Previdência, uma mudança constitucional, o jogo é outro. São necessários dois terços, ou 308 do conjunto dos 513 deputados. E o governo terá dificuldades na sua principal base de sustentação, o Congresso.

    Somados os deputados dos partidos aliados de Temer totalizam 382. Por aí, os governistas contabilizam 80 “traições” na reforma trabalhista, um teste. E deixou o governo à beira de um ataque de nervos.

    Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, desfralda a reforma da Previdência como o grande sinal para atrair investidores, já que o governo teria aí o caminho para equilibrar suas contas.

    Outros segmentos acham que o governo elegeu a parte pobre da população para pagar o pato dos desatinos cometidos com o dinheiro público, ainda hoje, em grande fatia, irrigando os privilégios de alguns, sem legitimidade para atacar a questão principal.

    Disso resulta que, na reforma da Previdência, a reação popular é maior e entre os parlamentares também. Muita gente que votou a favor no primeiro caso, já avisou que, na questão previdenciária, não embarca. O custo em termos de opinião popular seria alto.

    A greve geral estimulada também por entidades como a CNBB, bota mais gasolina na pressão popular contra.

    Deixou Temer em um beco de duas saídas, ambas pesadas. Se perder na reforma da Previdência, que será votada na próxima semana, se complica no único caminho que elegeu para vislumbrar um futuro melhor. E se ganhar, é meio que uma vitória de Pirro.

    Será amaldiçoado pelos segmentos populares, já estupefatos com os escândalos que irrigam a República.

    Apoio pouco

    Ao pedir aos taxistas que transportem servidores municipais de graça, óbvio que ACM Neto tentou boicotar a greve.

    Em Conquista, o secretário da educação de lá, Gildásio Carvalho, chegou a dizer que não ia cortar ponto de quem não fosse trabalhar. Levou bronca do prefeito Herzém Gusmão (PMDB).

    Entende-se. Para eles o fracasso de Temer é ruim. Os governistas tudo fizeram para frear os grevistas. Perderam.

    Fogo só pega em palha seca. E a palha está seca.

    Evangélicos desunidos

    Embora alguns evangélicos tenham fechado questão contra a reforma da Previdência, na trabalhista, nem tanto. Erivelton Santana (PEN), Pastor Luciano (PRB) e o Bispo Marinho (PRB) votaram sim. Já Irmão Lázaro (PSC), não. Pastor Luciano já disse que na Previdência é contra. Vamos ver os outros.