Frase da vez
“A Lava Jato tornou-se referência e como tal deve ter prosseguimento e proteção contra qualquer tentativa de enfraquecê-la.”
Michel Temer, em 12 de maio de 2016, ainda presidente interino

Michel Temer bateu forte no procurador da República, Rodrigo Janot dizendo que as acusações contra ele são “ilações”. Desqualificou a acusação e insinuou que Janot também vive situações suspeitas. Julgou-se forte ou foi para o tudo ou nada.
Ele já perdeu a credibilidade, a habilidade na arte de dissimular não tem eficácia, ninguém o leva a sério, mas a pretensão da estratégia parece clara, o Congresso, sua principal base de sustentação, com grande parte dos integrantes melados na Lava Jato, ele faz a opção pela linha do enfrentamento direto e atiça o fogo da crise.
A questão: seria essa a melhor tática? No próximo ano tem eleição e Temer, como mandatário, tem o prazo de validade prestes a vencer. Vale a pena embarcar com ele ou correr atrás de votos como opção mais segura?
Os aliados de Temer estão aparvalhados. E os adversários satisfeitos. Cobram o afastamento, fazendo o bom discurso, mas torcem para que tudo fique como está mais tempo possível.
É certo que das duas uma: depois do ataque, ou Temer ou o Judiciário vai se dar mal. Façam as apostas. Palpite: Temer pode até livrar-se das acusações (enquanto for presidente) no Congresso, mas sobra.
O povo cansou?
Getúlio Vargas se suicidou, João Goulart se exilou, Fernando Collor sofreu o impeachment e Dilma Roussef também. Em comum, eles eram presidentes que por motivos distintos viveram crises que lhes custaram o mandato, no mínimo.
Nenhum deles, no mandato, foi acusado formalmente de corrupção. Temer é o único. E bate pé firme que não sai e nem cai.
O que há com Temer que os outros não tiveram? Povo na rua, ao que se diz em Brasília. Getúlio, Jango, Collor e Dilma tiveram.
Temer não. As manifestações contra ele são pífias. O povo brasileiro perdeu a capacidade de indignar-se?
O dilema de Aécio
Jornalistas mineiros vislumbram um futuro sombrio para Aécio Neves, mesmo que ele consiga salvar o mandato.
A questão é que o mandato de senador dele acaba em 2018. E na urna, ele teria muitas dificuldades para renová-lo.

