Temer quase renunciou após delação da JBS, diz aliado

    "Ele quase derrubou o presidente naquele dia 17", disse o deputado Carlos Marun sobre as declarações de Joesley Batista

    Foto: Beto Barata/Divulgação

    O presidente Michel Temer (PMDB) avaliou renunciar em maio deste ano. A avaliação foi feita logo após o vazamento de áudios da delação da JBS e, segundo auxiliares, uma carta chegou a ser redigida, embora não tenha chegado a público e oficialmente nunca existido.

    O trecho de um áudio de uma sessão sigilosa da CPI da JBS, divulgado pela Folha, mostra que um dos principais aliados do peemedebista afirma ter testemunhado, dentro do gabinete presidencial, a quase renúncia.

    “Ele quase derrubou o presidente naquele dia 17. O complô era para o dia 18 o presidente renunciar. Quase conseguiu fazer o presidente renunciar! [eleva a voz] E quem tá lhe falando é quem tava dentro do gabinete!”, disse o deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS).

    O parlamentar do PMDB sugere, na sessão, que o advogado e delator da companhia, Francisco de Assis e Silva, aconselhe o seu chefe, Joesley Batista, a fazer uma nova delação, para revelar como foi o processo de negociação e obtenção de provas da colaboração que gerou uma crise política na atual gestão.

    O recado é para que o empresário, que está preso desde o início de setembro suspeito de ter omitido informações em sua delação, delate agora o então procurador-geral da República Rodrigo Janot, que comandou o acordo de colaboração dos executivos da gigante das carnes.

    Aliados de Temer sustentam que Janot tinha o objetivo de derrubar o governo e que, por isso, induziu e orientou de forma ilegal toda a produção de provas. “A flecha saiu pela culatra”, ironizou o parlamentar.