Temer teme tornar-se o sucessor de Lula como o segundo condenado

    Lula é julgado por fatos passados e Temer pelos passados e presentes. O risco é de ser pior é maior, diz Levi

    Frase da vez

    “Ninguém é ateu em um avião em turbulência.”
    Erica Jong, escritora norte-americana (1942)

    Foto: Marcelo Calil/ Divulgação
    Foto: Marcelo Calil/ Divulgação

     

    No farfalhar da Lava Jato Michel Temer e Lula têm muito em comum, do ponto de vista daquilo que é história e ponto final. Começa pela CCJ, os argumentos da defesa de Temer e de Lula no pós-condenação são iguais, sem tirar e nem por: ambas alegam falta de provas, armação política.

    Também Lula é o primeiro ex-presidente condenado por corrupção e Temer o primeiro acusado por corrupção. Vá lá que Lula é julgado por fatos passados e Temer pelos passados e presentes. O risco é de ser pior é maior.

    O futuro de Lula no caso já chegou. O dele virá. Enquanto pode, Temer atira sem eira nem beira, usa a máquina ostensivamente, mas não entrega os pontos. Pelo contrário. Atira pesado. Só de dinheiro para emendas de deputados foram R$ 156 milhões.

    Óbvio que essa do futuro de Lula já chegou só vale para o capítulo anterior, agora virá o segundo. O futuro para os dois ainda está em andamento. E os finais, como toda boa história, são imprevisíveis.

    Balança e fôlego

    Temer, que começou a semana quase caindo, conseguiu uma sobrevida ao derrubar na CCJ da Câmara o parecer do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), recomendando a aceitação do prosseguimento da apuração da denúncia por corrupção.

    Mas não é lá algo muito a comemorar. Temer, que já não tem voto nem popularidade, se sustenta só com o apoio no Congresso, e a apreciação do fato mostrou que o barco dele está entrando água.

    Sem falar que ganhou a maioria trocando membros da CCJ e, acusado de comprar votos, cinco dos seis tucanos da CCJ, entre eles o baiano Jutahy Júnior, votaram pela aceitação da denúncia.

    Ou seja, Temer vê seu único ponto de apoio sendo corroído. Quer acelerar a votação antes do recesso com receio de que outro episódio bombástico o liquide já.