O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), fez sua avaliação sobre o aceno do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante seu discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na terça-feira (23). O gesto marcou o primeiro contato formal dos líderes desde o início da crise político-econômica entre os dois países.
Em sua fala, Trump afirmou ter tido uma “excelente química” com Lula, e definiu o presidente brasileiro como “um homem muito agradável”. O americano ainda confirmou uma reunião entre os dois para a próxima semana. As informações são do portal InfoMoney.
“Agora, o companheiro Trump parece que gostou do companheiro Lula, teve uma química, e vai começar a conversar, e falar de coisas que realmente importam, que é integração econômica, investimentos mútuos, parcerias”, avaliou o ministro durante seu discurso no Congresso de Direito Tributário do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
O Palácio do Itamaraty já trabalha para que a reunião entre os presidentes ocorra por videochamada ou telefonema nas próximas semanas.
A oportunidade de diálogo surge em meio à crise diplomática detonada pelas sanções e tarifas aplicadas pelos EUA ao Brasil em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado.
Decisão que não para em pé
Ainda na visão de Haddad, os Estados Unidos parecem começar a reconhecer que a decisão de sobretaxar o Brasil foi equivocada. O ministro relembrou que, em seu encontro com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, em maio, afirmou a ele que aquela era a primeira vez que via uma região deficitária na relação com os EUA (a América do Sul) ser tributada, em referencia a então taxação de 10% imposta pelo governo americano em 10%.
“Dois meses depois, alguém deu a brilhante ideia de ele (Donald Trump) tarifar em mais 40% os produtos brasileiros, e agora eles (os americanos) estão escolhendo os frutos dessa decisão, pagando caro o café, pagando caro a carne, pagando caro os produtos brasileiros”, afirmou.
“Começaram a excepcionalizar a decisão que tomaram, porque foi uma decisão não só politicamente errada, mas também economicamente errada. Foi uma decisão que não para em pé”, criticou.
Haddad ainda disse que a reforma tributária veio “em boa hora”, antes do tarifaço de Trump. “Como que por premonição de que alguma coisa muito ruim podia acontecer, e aconteceu”, disse.
O ministro ainda afirmou acreditar que o Brasil possui condições de enfrentar novos desafios globais e “sentar à mesa” com qualquer grande player internacional, citando as “excelentes relações” que o país mantêm na Ásia, a proximidade de um “grande acordo” entre Mercosul e União Europeia, que vem sendo costurado, principalmente, pelo Brasil, e a retomada do diálogo com os países da África.

