Tia Eron dispara: ‘Vocês não mandam nessa nega aqui’

    Em fala na Comissão de Ética, deputada não revela o voto, mas sinaliza ser favorável a Cunha, após atacar os partidos que pedem a cassação do peemedebista

    REUNIÃO-CONSELHO-ÉTICA-CONTRA-EDUARDO-CUNHA (CHARLES SHOLL/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

    Se a sua ausência na sessão da comissão do último dia 7 causou muito burburinho nos corredores da Câmara, a deputada Tia Eron (PRB-BA) tratou de “causar” na sessão desta terça-feira (14). Com um depoimento forte, a parlamentar baiana minimizou os ataques recebidos pelos colegas parlamentares e disparou: “Hoje, diferentemente da semana passada, me surpreende que o senhores não me procuraram, nem sequer citaram meu nome. Entenderam que, de fato, não mandam nessa nega aqui. Nenhum dos senhores mandam. Eu estava nessa casa e a imprensa sabe disso, assistindo por aquilo que Platão chamava de ‘mito da caverna’, pela TV, para poder ver os olhos de cada um. Porque os olhos refletem aquilo que a boca não tem coragem de dizer.”

    No primeiro momento do depoimento, Eron aproveitou para rebater as críticas recebidas pelos colegas de Casa pela ausência na última sessão, como o deputado Nelson Marchezan Jr. (PSDB-RS), que teria dito “a sensação aqui é que a deputada Tia Eron foi abduzida’. Ao colega, Eron rebateu: “Eu não fui abduzida, nobre deputado Marchezan. Dada a responsabilidade e comprometimento do momento, se o senhor seu pai estivesse aqui, não faria tal gracejo”.

    Considerada como um voto decisivo no processo de cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Eron afirmou que precisava se preparar para votar e criticou ainda a prolongação do processo na Casa: “Eu não compreendo como, depois de sete meses, aliás é claro, vocês são todos homens e não compreendem o que é dar à luz e o que é gestar. Isso aqui é quase um filho pra poder nascer e aí  vocês chamam ‘Cadê Tia Eron ?’ pra resolver o problema que os homens daqui não conseguem resolver. Tia Eron vai resolver, já que é pra resolver. Peço desculpa à imprensa, porque precisei, como julgadora, me preservar, com a livre capacidade de poder decidir nesse momento.”

    Apesar de não revelar o voto, Eron criticou duramente os partidos, PT e PCdoB, que pedem a cassação do mandato do peemedebista, dando a entender que votaria contra a cassação do presidente afastado da Câmara: “Eu quero, na tarde de hoje, votar com aquilo que o deputado Júlio Delgado me ensinou no dia da votação do impeachment.  Ele me confessou que o irmão dele chamou ele (sic) e disse  ‘você não está em paz’. Como sempre eu me comprometi com o Brasil, desde o primeiro dia que cheguei aqui. Você pode brigar com sua mulher, com sua família, com seus eleitores, mas não pode brigar com sua consciência. E é o que eu farei nesta tarde”, finalizou.