Tragédia, diz D. Lenise, foi caso de descaso ou ‘uma grande derrota’

    "Foi uma tragédia anunciada. Eu culpo o dedo do governo, a omissão da Capitania dos Portos e também da Justiça", aponta diretora da Associação Comercial de Vera Cruz

    Frase da vez

    “Justificar tragédias como vontade divina tira da gente a responsabilidade por nossas escolhas”
    Umberto Eco, escritor e filósofo alemão (1932 – 2016)

    Foto: Reprodução/ TV Record
    Foto: Reprodução/ TV Record

     

    Ex-presidente da Associação Comercial de Vera Cruz, delegada do Sindilojas e diretora estadual da entidade, D. Lenise Andrade, também uma antiga líder comunitária na Ilha de Itaparica, não escondeu a revolta ante o que interpretou como o fracasso da sua luta com a tragédia de ontem:

    – Foi uma tragédia anunciada. Eu culpo o dedo do governo do Estado, a omissão da Capitania dos Portos e também da Justiça, que não julga as demandas encaminhadas pelo próprio Ministério Público.

    Ontem, o ex-marido de D. Lenise, Edmilson Andrade, estava embarcado na lancha Cavalo Marinho. Escapou. A irmã, Lilian, também estaria. Não foi porque perdeu o horário. Pelos dois, um alívio. Pelos 18 mortos, um grande sentimento de perda.

    Conta D. Lenise que a antiga administradora do ferry, a TWB, vendeu indevidamente uma balsa pertencente ao governo do Estado, a Bartira, que foi resgatada e fundeada em Bom Despacho para servir de atracadouro das lanchas de Mar Grande quando o tempo estivesse ruim:

    – Nunca funcionou. E ninguém faz nada. Deu nessa tragédia que daqui a algum tempo todo mundo esquece. Falam da ponte. E enquanto a ponte não vem, vamos morrer?

    Essa não dá para esquecer, D. Lenise.

    Histórico em família

    D. Lenise é irmã do deputado Zé Neto (PT), líder do governo na Assembleia. Ela conta que ele está ciente de tudo, com a ressalva de que o Hospital Geral de Itaparica (HGI) é uma lástima:

    – Domingo mesmo, lá na nossa casa, em Feira de Santana, briguei com ele por isso. Um funcionário meu, de 41 anos, sofreu um AVC e morreu sem qualquer assistência.

    Na mídia e nas redes

    A notícia do acidente em Mar Grande repercutiu na mídia do mundo inteiro, com destaque. Da Ásia aos EUA. Ou seja, nunca houve tragédia lá, quando aconteceu, foi com T maiúsculo, infelizmente.

    Aliás, nas redes sociais circula um vídeo de um episódio ocorrido em maio na travessia Mar Grande-Salvador.

    As ondas fortes faziam a água invadir a lancha, deixando os passageiros, todos com coletes, apavorados.

    Chama a atenção, e os passageiros gritam, que ninguém da lancha aparece para dar qualquer orientação. Sugere que o esquema, em caso de perigo, era na base do salve-se quem puder.

    Veja o vídeo: