Um olhar sobre o povo de máscara mostra que mais pobres usam menos

    O não uso da máscara desmascara a pobreza. De novo

    Nestes tempos de pandemia e isolamento parcial, um tour pelas ruas, não desertas, mas tranquilas dos bairros, com olhar focado no uso de máscaras, se percebe que nem é preciso pesquisa, é na tampa da cara que a prática é mais ou menos intensa conforme a condição social. Ou melhor, o não uso da máscara desmascara a pobreza, de novo.

    É visível que em bairros de maior poder aquisitivo, como Barra, Graça e Pituba, o uso de máscaras é bem mais intenso. Na Boca do Rio, onde o coronavírus está firme, já cai bastante. E é bem menor na Estrada Velha do Aeroporto, por exemplo.

    Contaminação

    Dê-se o desconto de que a Covid-19 vem de cima para baixo, de rico para pobre. Força o uso da máscara onde ele mais ataca e nem tanto no outro lado.

    A questão: como fazer para os segmentos populares cumprir sem traumas o uso obrigatório das máscaras determinado por ACM Neto? Com a palavra Leo Prates, secretário de Saúde de Salvador.

    — A decisão de ACM Neto de obrigar o uso máscaras no transporte público tem justamente esse propósito, o de ajudar a disseminar o uso das máscaras nos bairros populares. Há o efeito contaminação.

    Prates diz que largas parcelas da população vão aprender a fazer as suas próprias máscaras. Até porque se diz que é nas favelas que a Covid tem seu campo mais fértil. E há o risco de ela nos criar uma situação caótica. Não é, Leo Prates?

    — Infelizmente, sim.