Publicado em 24/07/2026 às 18h48.

‘Vamos resolver aqui’, diz Lula ao defender pesquisa sobre terras raras

Segundo o presidente, o país não deve se restringir à exportação de matérias-primas

Luana Neiva
Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (24) que o Brasil precisa investir em ciência, tecnologia e pesquisa para evitar um papel limitado na exploração de recursos estratégicos, como terras raras e minerais críticos. A declaração ocorreu durante encontro com lideranças do sistema de ciência e tecnologia na sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Segundo Lula, o país não deve se restringir à exportação de matérias-primas e precisa desenvolver conhecimento próprio para agregar valor aos recursos naturais. “Nós nunca valorizamos a pesquisa, ciência e educação no Brasil. Nós não seremos exportadores de terras raras e minerais críticos, vamos resolver aqui, com pesquisa”, afirmou.

Lula cobra investimentos em ciência e defesa da soberania nacional

Durante o evento, o presidente também criticou o nível de restrição do orçamento da União e defendeu que investimentos em pesquisa científica tenham maior proteção dentro das regras fiscais.

“Aprendi que sempre temos o orçamento apertado. É como um cobertor de avião, você escolhe o que pode cobrir. Por isso temos que priorizar, temos que ter teimosia e disposição”, declarou.

Lula afirmou que há uma diferença na forma como determinados gastos públicos são tratados no debate nacional. “Não se vê um único jornal reclamando de pagar R$ 1 trilhão de dívida falando que é gasto. Gasto é sempre educação, né. As pessoas não gostam de investimento em pesquisa”, disse.

O presidente também citou o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) durante a pandemia de Covid-19 e afirmou que a crise sanitária evidenciou a importância da estrutura pública de saúde. “Precisou acontecer aquela desgraça para o SUS sair de cabeça erguida, uma autoridade que salvou muita gente”, afirmou.

Lula relacionou ainda o investimento em pesquisa à soberania do país diante de disputas internacionais e afirmou que a falta de desenvolvimento científico deixa o Brasil em posição de menor influência no cenário global. “Ficamos fora da disputa vendo Trump e Xi Jinping brigando”, declarou.

O presidente também voltou a defender investimentos na área de defesa, incluindo ações voltadas para proteção das fronteiras terrestres e marítimas.

“Não acredito que com tanto tamanho a gente esteja tão desprovido de defesa. Vai que um dia invadem o Brasil? Para fazer coisa boa, não precisa pensar, mas para arrumar uma loucura, um sujeito não precisa pensar tanto”, afirmou, citando a Guerra do Paraguai como exemplo histórico.

Luana Neiva
Jornalista formada pela Estácio Bahia com experiências profissionais em redações, assessoria de imprensa e produção de rádio. Possui passagens no BNews, iBahia, Secom e Texto&Cia.

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