Publicado em 22/07/2026 às 18h00.

Tinoco adia debate sobre presidência da Câmara e questiona entregas de Jerônimo

Vereador criticou o governador questionando o cumprimento das promessas de campanha

André Souza / Luana Neiva
Foto: Gabriela Encinas / bahia.ba

 

O vereador de Salvador, Claudio Tinoco (União Brasil) evitou antecipar uma candidatura à presidência da Câmara Municipal e afirmou que a sucessão da Mesa Diretora só será discutida após as eleições de 4 de outubro. A declaração foi dada nesta quarta-feira (22), durante a convenção estadual do União Brasil que oficializou a candidatura de ACM Neto ao Governo da Bahia, no Centro de Convenções de Salvador.

Além de tratar da disputa interna na Câmara, Tinoco criticou o governador Jerônimo Rodrigues (PT), questionando o cumprimento das promessas de campanha e o andamento de obras estruturantes executadas pelo governo estadual.

Sucessão na Câmara fica para depois das eleições

Questionado sobre a possibilidade de disputar a presidência da Câmara de Salvador, Tinoco afirmou que o momento é de concentrar esforços na campanha eleitoral e que qualquer discussão sobre a sucessão da Casa será feita apenas no fim do ano.

“Olha, nós estamos em plena convenção das eleições que ocorrerão dia 4 de outubro, que o nosso foco é todo esse, a gente não colocou a cabeça ainda na sucessão da Câmara, as eleições da Câmara, que a tendência que ocorre sempre ali no mês de dezembro, no final do ano, perto do vencimento dos atuais mandatos.”

O vereador destacou que integra a atual Mesa Diretora como primeiro-secretário e defendeu que o processo de escolha do próximo presidente passe por diálogo entre os partidos e pela posição do atual presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB).

“Eu faço parte da Mesa Executiva, da mesa diretora da Câmara, na qualidade de primeiro secretário, acho que tenho desenvolvido um bom trabalho, mas é claro que no momento certo, após as eleições de 4 de outubro, a gente vai ampliar o diálogo, ouvir primeiro o presidente Carlos Muniz, sobre qual é o propósito dele.”

Segundo Tinoco, a construção de uma eventual candidatura também dependerá do posicionamento do União Brasil, legenda da qual é líder na Câmara.

“Eu sou presidente da União Brasil na Câmara, hoje o partido com seis vereadores. Por aí que a gente começa conversando também, dentro do partido, tentando formar uma posição uníssona no partido, e é lógico que no momento certo a gente vai, aí sim, começar a discutir nomes para essa que é uma das principais, sem dúvida nenhuma, funções aqui em Salvador.”

Vereador questiona entregas do governo Jerônimo

Ao comentar declarações do governador Jerônimo Rodrigues sobre as realizações da gestão estadual, Claudio Tinoco afirmou que Salvador ainda não percebe resultados concretos dos investimentos anunciados pelo governo.

O vereador citou dados divulgados pela imprensa sobre o cumprimento de promessas de campanha e afirmou que o índice seria insuficiente.

“Salvador não pode, diria, atestar o volume de entregas de Jerônimo Rodrigues. Vi, inclusive, pela imprensa, circulando notícias que menos de 40%, acho que 32%, 34% das suas promessas em 2022, como candidato, foram entregues cumpridas. Isso é muito ruim, é muito baixo.”

Para Tinoco, o descumprimento das promessas poderá influenciar a avaliação do eleitorado nas eleições.

“Quando você cria expectativa na sociedade, na população, nos eleitores, na conquista do voto, e quando você exerce o mandato, não entrega à população as suas promessas, eu acho que o eleitor vai saber avaliar e quem sabe pode aí sim confirmar o desejo de mudança que a gente percebe nas ruas.”

Críticas ao VLT e à Ponte Salvador-Itaparica

O vereador também questionou o andamento de obras consideradas estratégicas para a capital baiana, como o VLT de Salvador e a Ponte Salvador-Itaparica.

Segundo ele, o projeto do VLT sofreu sucessivos atrasos e mudanças desde a concepção inicial.

“É claro que as obras de investimento em Salvador, sobretudo aquelas que são mais significativas, elas não tiveram ainda a conclusão para oferecer à população um bom uso. Eu cito o caso do VLT, por mais que esteja numa primeira etapa de funcionamento ainda assistido, ele foi projetado como monotrilho, foi feito um contrato, os trilhos foram tirados, os trens há mais de cinco anos atrás, ou seja, precisou ser cancelado o contrato, fazer nova licitação e quando você perde todo esse tempo, primeiro você tem um gasto público, mais de 57 milhões foram empregados e perdidos e a população não tem o serviço prestado.”

Sobre a Ponte Salvador-Itaparica, Tinoco afirmou que a obra ainda não apresentou resultados concretos para a população.

“E a grande novela, essa novela de 20 anos da ponte Salvador-Itaparica, que ainda hoje não se sabe qual vai ser o real impacto em Salvador e por isso mesmo não existe entrega. Existe, na verdade, é uma expectativa frustrada de todos os soteropolitanos.”

 

André Souza
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música, atualmente trabalha como repórter de Política no portal bahia.ba.

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