Vereador é condenado à perda de mandato por antissemitismo

    Decisão não tem efeito imediato e Adilson Amadeu poderá ficar no cargo enquanto recorre para tentar reverter a condenação

    Foto: Reprodução/Câmara Municipal de São Paulo

    O vereador Adilson Amadeu (União Brasil) foi condenado à perda do mandato por antissemitismo. O edil deverá cumprir ainda pena de três anos de reclusão, em regime aberto.

    De acordo com informações do Blog do Fausto Macedo, do Estadão, a decisão não tem efeito imediato. O vereador poderá ficar no cargo enquanto recorre para tentar reverter a condenação. 

    O edil foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo com base em uma mensagem enviada por WhatsApp. Na decisão, a juíza Renata William Rached Catelli, da 21.ª Vara Criminal de São Paulo afirmou que o vereador foi “preconceituoso e extrapolou o direito à liberdade de expressão” e que “contribuiu para perpetuar e reforçar processos de estigmatização contra o judaísmo”. 

    “Em poucas palavras, o acusado conseguiu reviver ideias sabidamente consideradas antissemitas, ajudando a disseminá-las, estigmatizando o povo judaico. O réu é um vereador, uma pessoa pública, e suas palavras ressoam de forma diversa das palavras de um desconhecido, um anônimo”, disse a juíza. 

    É uma puta duma sem vergonhice, que eles querem que quebra todo mundo, pra todo mundo fica na mão, do grupo de quem? Infelizmente também os judeus, quando eu até tô até respondendo um processo, porque quando entra Albert Einstein, grupo Lide é que tem sem vergonhice grande, grande, sem vergonhice de grandeza, de grandeza que eu nunca vi na minha vida (sic)”, diz o trecho.

    No ano passado, Adilson Amadeu chegou a ser condenado por injúria racial após chamar o vereador Daniel Annenberg (PSDB) de “judeu filho da puta” e “judeu bosta” em uma sessão da Câmara Municipal. 

    A defesa de Amadeu argumentou que o áudio foi compartilhado em um grupo fechado na plataforma e que as críticas do cliente foram direcionadas à gestão da pandemia pela prefeitura e pelo governo paulistas e não aos judeus.