Vereador vê apropriação econômica da cultura negra e minimiza PL do RJ sobre acarajé

    Salvador só verá mudança de paradigma quando a capital tiver um governante negro, afirmou Silvio Humberto (PSB) em evento sob temática racial

    Foto: Carolina Papa/bahia.ba

    O vereador Sílvio Humberto (PSB) afirmou nesta sexta-feira (3) que Salvador não terá qualquer prejuízo pelo fato de o Rio de Janeiro tornar o acarajé como patrimônio cultural do estado. A proposta tramita na Assembleia Legislativa fluminense.

    “A cidade tem a sua autonomia. Eu não entro na discussão porque poderia ser uma outra cidade que resolvesse, porque é uma valorização. Mas nossa cidade fez isso em 2002. Não acho que a gente perde. Mas, mais do que a valorização, eu encaminhei um projeto para colocar como patrimônio o ofício de baiana”, disse Humberto ao bahia.ba.

    Pré-candidato ao Thomé de Souza, o vereador diz que o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) vetou o texto. “Não entendi até hoje porque o prefeito à época não sancionou. Deu a justificativa que deveria passar pela [Fundação] Gregório de Mattos. A reparação cultural é importante, mas a reparação econômica é que precisa chegar”, declarou o vereador durante a abertura do Festival Liberatum 2023, no Centro de Convenções da capital. O evento faz parte de uma extensa programação em alusão ao Novembro Negro.

    Sem mencionar diretamente o festival, realizado com apoio da gestão Bruno Reis (União Brasil), Humberto exaltou as discussões que serão pautadas pelos convidados, incluindo personalidades negras. Mas, para ele, uma mudança de paradigma só acontecerá quando a capital tiver um governante negro.

    “Como se transformar essa cidade de maioria negra? Isso passa também para você ter um prefeito e prefeita negra. Não é pra mudar a cor, não. É pra mudar uma outra visão que a cidade não tem. A cidade que nós temos e a cidade que nós queremos? Nós temos um potencial que não tem sido devidamente utilizado. É o cultural pelo cultural, retirado o sentido político. Então, se antes eu não queria saber da cultura negra, agora eu venho e me aproprio economicamente e financeiramente dessa cultura negra”, afirmou.

    “Essa cidade pode mais. Mas, se eu não enfrentar o racismo e suas manifestações, permaneceremos nesse ciclo vicioso da pobreza”, acrescentou o vereador.