Após denunciar gestos nazistas em uma manifestação pró-Bolsonaro na Câmara de São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, a vereadora do Partido dos Trabalhadores (PT), Maria Tereza Capra, que teve o mandato cassado, e passou a sofrer ameaças de morte, nesta quinta-feira (2), através das suas redes sociais, foi intimidada de ter o mesmo fim de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, socióloga e ativista, assassinada, no dia 14 de março de 2018, com o seu motorista Anderson Pedro Gomes, com 13 tiros, durante emboscada.
“Seu fim tem que ser igual uma cadela que se chamava Marielle. Que as cadelas me desculpem por ofendê-las”, escreveu o usuário apócrifo.
Capra, por sua vez, frisou que: “Hoje recebi mais uma ameaça de morte. Pelo Instagram esse sujeito bolsonarista, evangélico, que odeia a esquerda e as mulheres nao poderia ter sido mais claro: para ele, meu fim será o mesmo de Marielle. Este não é só mais um doido da internet, um antipetista, ou alguém que está defendendo a honra da minha cidade. É um cara violento, que pratica ameaças e violência política, prega o ódio à esquerda e comemora a polícia que mata. Já comuniquei à DPF E O PROGRAMA DE PROTEÇÃO AOS DEFENSORES DE DIREITOS HUMANOS DO MDHC. A PF e a Policia Civil já que estão investigando outros crimes praticados contra mim. NAO VÃO ME CALAR! #fascistasnãopassarão”.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDCH) já se manifestou e incluirá a edil catarinense em programa de proteção aos defensores de direitos humanos.
“A gente não pode aceitar isso do ponto de vista político. Não dá para achar que um país democrático possa admitir uma situação como esta. É inaceitável. Tomaremos todas as providências para enfrentar esta violação da dignidade humana”, declarou o titular do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Silvio Almeida, que apontou o discurso de ódio como motor dos atos antidemocráticos observados no Brasil nos últimos tempos.
Ainda, Tarso Genro, ex-Ministro da Justiça e ex-Governador do Rio Grande do Sul se pronunciou nas redes de Capra demonstrando toda sua solidariedade ao ato e não deixou de citar que existe um desejo de se estabelecer ‘um golpe político, militar’, ao nominar o que tem ocorrido com o ministro do Tribunal Superior Eleitoral [TSE], Alexandre de Moraes.
“O ministro Alexandre de Moraes do TRE tem sido atacado de maneira vil, afrontosa, ilegal e inconstitucional por parte dos perdedores nas eleições presidenciais. Esses ataques tentam esconder um procedimento que estão tendo querendo montar um golpe político, militar por si só, tentando chamar as forças armadas para uma aventura golpista, que seria totalmente contrária a todas as pessoas para debater sobre a legalidade e a constitucionalidade das eleições e isso está tendo reflexo em algumas cidades, na maioria bolsonarista. Parte dela, não quer respeitar o resultado das urnas e passa a estabelecer um trabalho de perseguição a determinados quadros políticos do Partido dos Trabalhadores, como ocorre em São Miguel do Oeste contra a vereadora Maria Tereza Capra”, explanou sobre os ataques.
Tarso Genro conclamou também um cerco de proteção e respeito a Capra.
“Mas, tenho absoluta convicção que a população não aceita isso, embora possa ter suas preferências políticas, e nós temos ser afineiras para defender a proteção física e psicológica e ao seu mandato e minha solidariedade integral, como ex-ministro, que enfrentei duras lutas para defender a constituição do país a Maria Tereza Capra e a certeza que nós faremos um cerco de proteção jurídica e política a essa vereadora que merece respeito da sua comunidade e de seus adversários”, concluiu.
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