A crescente popularidade dos bebês reborn — bonecos hiper-realistas que imitam recém-nascidos — tem ultrapassado as redes sociais e chegado ao Legislativo. Em Salvador, a vereadora Débora Santana (PDT) apresentou dois projetos de lei que abordam diretamente o tema, provocando polêmica e reações distintas.
Um dos projetos propõe proibir o atendimento a bebês reborn nos serviços públicos da capital baiana, inclusive em unidades de saúde. No texto, a vereadora argumenta que os bonecos, por não serem seres vivos, não devem ser incluídos no sistema de atendimento médico — especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Fato é que os ‘bebês reborn’ não são seres vivos, não passam de bonecas, e tem pais dessas bonecas exigindo atendimento médico no serviço de emergência dos hospitais brasileiros, especialmente pelo SUS”, diz um trecho da proposta.
Para a parlamentar, atender esse tipo de demanda representa um uso indevido dos recursos públicos e pode comprometer o atendimento de quem realmente precisa.
“Tal prática coloca em risco a vida de pessoas que realmente necessitam de atendimento emergencial e representa um sério desperdício dos impostos em razão de um pseudo aparato lúdico”, afirma.
Saúde mental em pauta
A segunda proposta apresentada por Débora Santana trata da implantação de um programa de atenção à saúde mental de pessoas que adotam bebês reborn como filhos.
A vereadora reconhece que, em alguns casos, a relação afetiva com os bonecos pode estar ligada a questões emocionais e psicológicas, que demandam acompanhamento especializado.
Inspirado em uma proposta similar da deputada federal Rosângela Moro (União Brasil-SP), o projeto propõe que o acolhimento seja feito por meio do SUS, com foco na orientação, prevenção e tratamento de possíveis transtornos.
Entre os principais pontos da proposta estão:
– Acolhimento e orientação a pessoas que se consideram pais ou mães de bebês reborn, com informações sobre os riscos do uso dos bonecos como substitutos afetivos;
– Acompanhamento psicológico para casos em que houver indícios de dependência emocional, depressão ou outras condições de saúde mental;
– Atuação conjunta com a família, para promover estratégias de reintegração social e fortalecimento dos vínculos reais.
Repercussão
Os projetos ainda serão analisados pelas comissões temáticas da Câmara Municipal de Salvador antes de irem a votação.
As propostas dividem opiniões: enquanto alguns veem um alerta legítimo sobre o uso inadequado de recursos públicos, outros criticam o risco de estigmatizar quem utiliza os bebês reborn como forma de suporte emocional.

