Publicado em 18/01/2017 às 09h50.

Vereadores Marta e Aleluia acaloram debate sobre ensino nas escolas

Petista diz que projeto de democrata é "mordaça ao professor"; governista ataca Paulo Freire: "Criou modelo falido"

João Brandão
Foto: Evilásio Júnior / bahia.ba
Foto: Evilásio Júnior / bahia.ba

 

Os vereadores Marta Rodrigues (PT) e Alexandre Aleluia (DEM) debateram sobre o ensino nas escolas de Salvador. Autores de dois projetos distintos – Escola Sem Partido, do democrata, e Escola Livre, da petista –, os edis acaloraram a discussão no estúdio da rádio Excelsior 106,1 FM, nesta quarta-feira (18), durante o programa “Na Boca do Povo”, com Uziel Bueno e Evilásio Júnior.

“Nenhuma liberdade é absoluta. Por exemplo, o professor de português tem liberdade dentro do seu plano. Sou a favor da liberdade. O ensino foi ocupado por política, o pensamento crítico de Paulo Freire. Ele criou um modelo falido. Uma das maiores obras dele se chama: ‘Pedagogia do oprimido’. Política marxista. Sempre a questão de oprimido e opressor. A prioridade tem que ser a gramática, matemática, português. A política está virando prioridade”, disse Aleluia.

“Tem censura e tem mordaça. Isso é colocar mordaça no professor. É punir o professor”, rebateu Marta, para logo em seguida ser corrigida pelo colega. “[o projeto] Não prevê punição. As punições já existem. Está na Constituição, não pode coibir. A esquerda gosta de criar linguagem nova. Não tem nada de novo, é projeto de conscientização”, provocou.

Marta Rodrigues questionou o adversário sobre um vídeo que ele postou recentemente nas redes sociais. “Você fala sobre a Escola de Vienna, austríaca. Uma escola que tem pensamento econômico. O pai desse mercado liberal… Isso também não é doutrinação?”, perguntou. “Não, sugiro que as pessoas conheçam vários pensamentos diferentes”, justificou o democrata.

Mais de uma vez o debate chegou ao clímax de tensão entre os políticos. O clima esquentou de novo quando Marta Rodrigues afirmou que o projeto de Aleluia quer catequisar os alunos em relação à religião cristã. “Eu não sei onde fica algo que fale de doutrinação religiosa [no projeto]. Hora nenhuma teve isso. Temos que respeitar todas e religiões e, sobretudo, os cristãos. Respeitar não é doutrinar”, pontuou.

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