Vereadores voltam a bater boca sobre Estatuto da Igualdade Racial

    Contrária ao texto original, Lorena Brandão (PSC) chamou o projeto de “estatuto da desigualdade” e foi rebatida por Sílvio Humberto (PSB)

    Foto: Luiza Lopes/bahia.ba

    A votação do Estatuto da Igualdade Racial foi novamente interrompida na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Salvador nesta terça-feira (30) e vereadores voltaram a bater boca no plenário.

    O presidente do colegiado, Alexandre Aleluia (DEM), deverá convocar uma reunião extraordinária para a próxima segunda-feira (6).

    Vereadores da Frente Parlamentar dos Templos Religiosos apresentaram emendas para tentar modificar o texto, o que gerou reação.

    Integrante da bancada evangélica, a vereadora Lorena Brandão (PSC) chamou o projeto de “estatuto da desigualdade”, em discurso na tribuna.

    De acordo com a vereadora, a matéria não contemplaria negros evangélicos e católicos, somente os adeptos de religiões de matriz africana. “Quem está falando aqui é neta de negro. Meu avô era negro”, afirmou Lorena.

    Em seguida, o vereador Sílvio Humberto (PSB) rebateu a colega e disse estar “de saco cheio desse discurso falacioso”.

    “As pessoas não sabem o que é racismo. Chamar de estatuto da desigualdade é prova cabal de que a pessoa não leu. Falar de discriminação contra outros segmentos religiosos é prova de que não leu”, discursou.

    Durante a sessão, outros oposicionistas, como Aladilce Souza (PCdoB) e Suíca (PT), protestaram contra a possibilidade de intervenção do Executivo na matéria.

    O presidente da Casa, Geraldo Jr (SD), assegurou, entretanto, que o texto votado será aquele que tramita na Câmara.