‘Você precisa do pobre, de uma mão de obra não qualificada’, diz Haddad

    Em palestra sobre governança metropolitana, ex-prefeito de São Paulo falou sobre a dinâmica de desenvolvimento das cidades e de valorização da terra

    Foto: Divulgação/ Prefeitura de São Paulo

    O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou, nesta sexta-feira (24), que as cidades precisam do “pobre”, ou de uma “mão de obra não qualificada”, para o seu bom funcionamento, durante palestra na Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (Ufba) (veja aqui, aqui e aqui).

    Em palestra sobre governança metropolitana, o ex-gestor da capital paulista falou, entre outros assuntos, sobre a dinâmica de desenvolvimento das cidades e de valorização da terra – que seria “cruel” e necessitaria ser “domesticada na medida do possível”.

    “Aí acontece uma outra coisa com a valorização da terra: as pessoas não conseguem mais pagar para morar em São Paulo. Os pobres não conseguem mais pagar. Só que você precisa do pobre. Você precisa do pobre. Você precisa de uma mão de obra não qualificada para fazer a cidade andar. Como é que você vai fazer? Como é que você vai manter essa universidade segura, limpa, se você não puder contratar faxineiros, vigias? Como é que vocês faz com essas pessoas? Elas vão poder morar aqui perto do trabalho? Será que algum faxineiro daqui da universidade mora aqui perto? Muito dificilmente. O salário dele não vai pagar a renda da terra”, disse Haddad.

    Na sequência, o ex-prefeito comentou as dificuldades em organizar a dinâmica. “O problema é o seguinte: se esse trabalhador tiver que morar a 10 ou 20 quilômetros, eu tenho que trazê-lo para cá. O dia tem 24 horas; ele precisa dormir três, quatro, cinco. Precisa dormir. Eu preciso repor as energias dele, senão ele vão vai conseguir trabalhar. Se eu tenho que repor as energias dele, eu tenho que trazê-lo em um certo tempo para cá. Ele trabalha oito, vai perder mais quatro para se deslocar? Tem limites físicos, do que é mínimo de dignidade”, ponderou o ex-ministro da Educação.