O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria relatado o pagamento de cerca de R$ 30 milhões, em espécie, ao Instituto Lula para financiar despesas de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são da revista Veja.
De acordo com a publicação, a negociação estaria relacionada a uma suposta troca de pagamentos por acesso do Banco Master a recursos de fundos de pensão de servidores públicos federais.
As informações constariam em documentos e áudios atribuídos a Vorcaro, apresentados à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho, durante sua segunda tentativa de firmar um acordo de delação premiada. O órgão não avançou na apuração por considerar insuficientes as provas apresentadas.
Ainda segundo a publicação, a aproximação entre Vorcaro e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria sido articulada por Augusto Lima, então CEO do Banco Master e sócio do ex-banqueiro. O senador Jaques Wagner (PT-BA), que à época liderava o governo Lula no Senado, teria intermediado o primeiro encontro.
No relato atribuído a Vorcaro, a negociação envolveria o credenciamento do banco para operar com recursos da Caixa Asset, da Previ e de outros fundos de previdência.
O pagamento de R$ 30 milhões seria destinado a despesas do documentário Lula, dirigido por Oliver Stone e lançado em 2024. O Instituto Lula é gerenciado por Paulo Okamotto, também citado nas informações.
Vorcaro relata suposta cobrança de 10%
Ainda segundo a revista, Vaccari teria exigido uma parcela de 10% sobre os valores captados pelo Banco Master em operações com fundos de previdência ligados à Caixa, ao Banco do Brasil, à Petrobras e aos Correios.
A estimativa descrita no relato seria de R$ 10 bilhões, com R$ 9 bilhões destinados ao banco e R$ 1 bilhão ao PT. No entanto, a negociação teria enfrentado um impasse.
Em outro áudio divulgado pela Veja, Vorcaro compara os recursos destinados ao documentário sobre Lula com o patrocínio do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também recebeu dinheiro do Banco Master.
“Do Lula foi errado. O do Flávio não foi porque pediu patrocínio”, teria afirmado, em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que participou das articulações para o financiamento do filme.
A produção entrou na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) diante de suspeitas sobre possível uso de emendas parlamentares. Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que se tratava de financiamento privado.

